um objeto
e seus
discursos
por
semana

O desafio que lançámos à cidade de se revelar através de conversas semanais em torno do seu património material e imaterial deu origem a um dos nossos projetos mais ambiciosos. Com mais de 100 convidados todos os anos, e a um ritmo semanal, os ciclos a que intitulámos Um Objeto e seus Discursos por Semana inscrevem-se hoje de forma particularmente viva na rotina cultural da cidade do Porto.

Na sua simplicidade concetual e frugalidade organizativa, esta iniciativa conseguiu transformar-se num veículo peculiar de reativação patrimonial, de descoberta do território urbano e de ligação à nossa identidade cultural, passada e presente.

Ao longo das várias edições, complementamos o sistemático puzzle de histórias que foi sendo montado desde o início, em 2014, através do património municipal, de grandes instituições da cidade, de objetos de natureza diversa que estão no domínio privado, mais ou menos inacessível.

Falamos de património, e portanto de valor absoluto, com importância cultural, histórica, arquitetónica, paisagística, arqueológica, industrial, científica, gastronómica, até mitológica e do imaginário coletivo local.

É desta forma que entramos em museus, bibliotecas e praias, mas também em associações, restaurantes e barcos, cemitérios, laboratórios ou jardins e hospitais. Debatemos objetos museológicos e simultaneamente ideias, valores e sabores; cruzamos convidados dos quadrantes sociais e dos saberes mais diversos – da engenharia à pesca, passando pelas artes, pela saúde ou pela fé.

Um Objeto e seus Discursos por Semana é conhecimento, inclusão e circulação. É uma experiência de cidade. De toda uma cidade que se projeta no futuro através do amor que nutre pela sua história.

Rui Moreira
Presidente da Câmara
Municipal do Porto

bilhetes

Cada sessão tem o preço de 2,00 euros.
Garanta o seu lugar adquirindo
bilhete, disponibilizado no primeiro

dia útil do mês a que diz respeito,
em www.bilheteiraonline.pt ou nos locais habituais.

mapa2018.png

1-Palacete Viscondes
de Balsemão (10 Mar)

Praça de Carlos Alberto, 71
2- Piscina Olímpica
de Campanhã (17 Mar)

Rua de São Rosendo, 291
3-Rua de Dom Hugo (24 Mar)
Rua de Dom Hugo
4-Palácio do Bolhão (7 Abr)
Rua Formosa, 342/346
5-Fundação Portugal
África (14 Abr)

Rua de Serralves, 191
6-Associação de Jornalistas e Homens de Letras
do Porto (21 Abr)

Rua de Rodrigues Sampaio, 140
7-Cavalariças GNR - Comando Territorial do Porto (28 Abr)
Rua do Carmo, 11
8-Centro Materno-Infantil Norte Dr. Albino Aroso (5 Mai)
Largo da Maternidade de Júlio Dinis
9-Largo de São Domingos (12 Mai)
Largo de São Domingos
10-Gabinete do Munícipe (19 Mai)
Praça do General Humberto Delgado, 266

11-Igreja S. Bento
da Vitória (26 Mai)

Rua de São Bento da Vitória
12-Museu da Misericórdia do
Porto (2 Jun)

Rua das Flores, 15
13-Palácio da Bolsa (9 Jun)
Rua de Ferreira Borges
14-Cemitério de Agramonte
(16 Jun)

Rua da Meditação
15-Parque de São Roque (30 Jun)
Rua São Roque da Lameira, 2040
16-Jardins da Casa Museu Marta Ortigão Sampaio (7 Jul)
Rua Nossa Senhora de Fátima, 299
17-Estádio do Dragão (14 Jul)
Via Futebol Clube do Porto
18-Auditório Biblioteca Municipal Almeida Garrett (8 Set)
Jardins do Palácio de Cristal
19-Casa Museu Guerra Junqueiro (15 Set)
Rua de D. Hugo
20-Quinta de Bonjoia (22 Set)
Rua de Bonjóia, 185

21-Praça Coronel Pacheco (29 Set)
Praça Coronel Pacheco
22-Ordem dos Arquitetos - Secção Regional Norte (6 Out)
Rua Álvares Cabral, 144
23-Waat Studio (13 Out)
Rua do Dr. Eduardo Santos Silva, 261, BJ3
24-Teatro Campo Alegre (20 Out)
Rua das Estrelas
25-Biblioteca Pública Municipal do Porto (27 Out)
Rua de D. João IV, 17
26-Academia de Música de Costa Cabral (3 Nov)
Rua de Costa Cabral, 877
27-Museu do Tribunal da Relação do Porto (10 Nov)
Campo dos Mártires da Pátria
28-Igreja de São Martinho de Cedofeita (17 Nov)
Largo do Priorado
29-I3S Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (24 Nov)
Rua Alfredo Allen, 208

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Piano de Guilhermina Suggia

10 mar.

Palacete Viscondes de Balsemão mapa

convidados:

José Augusto Pereira de Sousa / Pedro Burmester

técnico:

Luís Cabral

descrição:

O piano que agora se apresenta pertenceu a Guilhermina Suggia e foi comprado numa casa comercial do Porto. Trata-se de um Franz Arnold de ¼ de cauda e serviu de instrumento de estudo e acompanhamento à violoncelista. Legou-o em 1950 a Ernestina da Silva Monteiro, que em 1972 o deixou a Maria Fernanda Wandschneider. Um dos discursos mais sedutores do violoncelo é justamente em duo com piano, por permitir um diálogo peculiar, um brilho muito próprio. Lembram-nos os momentos de estreia das duas irmãs, Guilhermina e Virgínia, na Assembleia de Matosinhos e no Palácio de Cristal (1892) ou a última atuação da violoncelista em Aveiro (1950), acompanhada por Berta Alves de Sousa. Hoje, como não poderia deixar de ser, temo-lo perante nós em duo com um dos violoncelos de Suggia, numa especialíssima sessão com intérpretes de excelência e uma sonata de Brahms. Como escreveu Mário Cláudio, “homenagear significará além do mais devolver o destinatário do tributo que se presta à atmosfera da sua vida”.

Lotação: 80 lugares

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Piscina Olímpica

17 mar.

Piscina Olímpica de Campanhã Mapa

convidados:

Ana Barbosa / Fátima Sarmento

técnico:

Rita Fernandes

descrição:

Recentemente requalificado, o Complexo de Piscinas de Campanhã acolhe a única piscina olímpica do Porto, e uma das poucas cobertas que existem no país. Com condições apontadas como de excelência por atletas e treinadores, este equipamento assume-se como uma mais-valia para a natação nacional. Contribui para a formação de novos atletas e possibilita melhores resultados para nadadores de alto rendimento em natação pura e natação adaptada. Atualmente cedida pela Câmara Municipal ao Futebol Clube do Porto, a piscina acolhe a equipa de natação do Clube, sendo também palco de várias competições nacionais e internacionais. Mergulhe connosco nesta conversa, em dia de provas – decorre o II Encontro de Natação Adaptada do FC Porto – em que uma atleta, Ana Barbosa, e uma docente, especialista em natação terapêutica, Fátima Sarmento, nos ajudam a descobrir algumas particularidades desta piscina e da prática da modalidade. Rita Fernandes, ex-atleta e treinadora do FC Porto, atual responsável pelo Complexo de Piscinas, bem como pelo projeto formativo Dragon Force/Natação, é a anfitriã da sessão, que começa às 18h e inclui a prova final e a entrega das medalhas.

Lotação: 90 lugares

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Capela Nossa Senhora das Verdades

24 mar.

Rua de Dom Hugo Mapa

convidados:

Paula Cardona / Paulo Ludgero

técnico:

Maria José Guerreiro

descrição:

Finalmente reaberta ao público, após uma intervenção de recuperação, conservação e restauro, a Capela de Nossa Senhora das Verdades na estreita e vetusta Rua de Dom Hugo é, desde 2018, um ponto de passagem e abrigo para peregrinos e demais caminhantes do Caminho Português da Costa para Santiago. Aqui instalou a Câmara, sua proprietária, um Centro de Acolhimento ao Peregrino, aproveitando privilegiada localização desta capela dessacralizada, erigida no século XVII. Com uma longa e convulsiva história, que esta sessão permitirá desvendar, os participantes conhecerão ainda, através de duas das suas mais conhecedoras testemunhas, os pormenores da reabilitação da Capela, que seguiu uma linha minimalista, respeitando materiais e características de origem. A moderar a sessão, a Vereadora da Cultura de Viana do Castelo, edilidade que capitaneou a candidatura intermunicipal aos fundos comunitários Norte 2020, no âmbito dos quais estes trabalhos de recuperação foram cofinanciados.

Lotação: 80 lugares

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Drageias de Licor Bonjour

07 abr.

Palácio do Bolhão Mapa

convidados:

Ana Pérez-Quiroga / Lois Ladra

técnico:

Rita Brás

descrição:

Drageias Bonjour de seu nome, conhecidas como as amêndoas de licor da Arcádia, são uma tentação a que qualquer degustador terá dificuldade em resistir, e ainda mais propícias à prova depois das privações quaresmais. Vinda a Páscoa, vamos ao encontro da história, da feitura e do sabor destas drageias, numa especialíssima sessão com direito a demonstração – observaremos a pintura das drageias ao vivo, por Patrícia Matos Leite, uma das “bordadeiras” de drageias de licor Bonjour que trabalha com a marca há quase duas décadas. Desde 1933, data da sua fundação, que as drageias são produzidas e decoradas na Rua do Almada, na fábrica da Arcádia, nas traseiras da loja. Não sendo possível reunir neste espaço mais do que uma vintena de pessoas de cada vez, a sessão decorrerá num espaço mais adequado, contíguo a outra das lojas da Arcádia: o Palácio do Bolhão. Lois Ladra, antropólogo e arqueólogo especialista em amêndoas, será um dos oradores desta sessão, na qual uma artista visual, Ana Pérez-Quiroga, nos dará a ver, pelos seus olhos, este processo tão decorativo quanto licoroso.

Lotação: 90 lugares

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Nkisi

14 abr.

Fundação Portugal África Mapa

convidados:

Rita Gaspar / Sandra Gradim

técnico:

Maria Celeste Hagatong

descrição:

“Nkisi nkondi” (figura de poder) é o nome desta estatueta mágico-religiosa do final do século XIX, proveniente da bacia do Congo e propriedade da Universidade do Porto, que nos reúne nesta sessão na Fundação Portugal África. Habitualmente referida como boneco vudu, resulta de uma criação conjunta entre o artesão que materializa uma figura humana partindo de um tronco de madeira e o nganga (curandeiro) que aciona o poder mágico da figura através de um ritual. No seu interior, as matérias mágicas (oriundas de vegetais, animais ou de outro tipo) providenciam proteção, cura ou justiça para a aldeia, crê-se. Uma arqueóloga e uma especialista em ciências do oculto são as oradoras convocadas para esta conversa sem preconceitos, moderada pela presidente da Fundação Portugal África.

Lotação: 140 lugares

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Ficha de inscrição de Leonor de Almeida

21 abr.

Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto Mapa

convidados:

Cláudia Clemente / João Gesta

técnico:

Manuela Espírito Santo

descrição:

Leonor da Conceição Pinto de Almeida (1909-1983) é nome pouco conhecido até para quem domina as lides literárias da cidade do Porto. Não admira, pois esta poeta nascida na freguesia de Santo Ildefonso, às 2 da manhã de 25 de abril de 1909, não surge nas antologias líricas do século XX e pouco se sabe da sua vida e obra. Ou pouco se sabia, até Cláudia Clemente ter decidido investigar a fundo na sua biografia e produção escrita. Admitida como sócia na Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto a 27 de março de 1950, Leonor declara como profissão publicista e redatora em jornais e revistas. Dá uma data de nascimento diferente; trabalha na realidade como “enfermeira visitadora de higiene”; duas vezes divorciada, no final dos anos 1950 já se afirmava “escritora” e não escapou à atenção da PIDE (por se abeirar de “indivíduos desafetos ao regime”, como o seu segundo marido). Quando se torna uma das primeiras sócias da Associação Portuguesa de Escritores, declara-se nascida em 1919 (dez anos mais nova!) e de profissão fisioterapeuta. Mistérios e controvérsias para deslindar numa viagem pela personalidade e pela lírica de Leonor de Almeida.

Lotação: 80 lugares

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Cavalo puro-sangue lusitano

28 abr.

Cavalariças GNR - Comando Territorial do Porto Mapa

convidados:

Capitão Tomé / João Ralão Duarte

técnico:

Alexandra Cerveira Lima

descrição:

Crê-se que o cavalo lusitano é o descendente direto do domesticado cavalo ibérico, antepassado de todos os cavalos que estiveram na base da equitação em todo o mundo, desde a Europa ao Norte de África, à Ásia Menor, à Índia e à China. Mercê do isolamento desta zona da Europa, aqui sobreviveu e evoluiu desde há cerca de quinze mil anos, praticamente isento de influências estranhas até há bem pouco tempo. Este cavalo, uma preciosa herança genética da Andaluzia e de Portugal, foi usado, pelo menos desde a Antiguidade Clássica, como melhorador desde a bacia do Mediterrâneo até às bacias dos mares Negro e Cáspio. O lusitano expande-se e vem a sofrer, já nos séculos XIX e XX, diversas infusões de sangues estranhos, em consequência da necessidade de maior força de tração (este efeito alterou-o significativamente, retirando-lhe ligeireza). Vamos conhecer melhor a história e as características do cavalo lusitano nas Cavalariças da Guarda Nacional Republicana.

Lotação: 100 lugares

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Espéculo

05 mai.

Centro Materno-Infantil Norte Dr. Albino Aroso Mapa

convidados:

Ana Aroso / Henrique Barros

técnico:

António Tomé

descrição:

“Pai” do planeamento familiar como ainda hoje o entendemos, devemos a Albino Aroso, médico e secretário de Estado do VI Governo Provisório, a sistematização de medidas que resultaram, em 24 de Março de 1976, na primeira legislação sobre planeamento familiar em Portugal. A Aroso se atribuem também as fundações para esta revolução: em 1967 esteve ligado à criação da Associação para o Planeamento da Família, e dois anos depois, à primeira consulta pública e gratuita de planeamento familiar, no Hospital Geral de Santo António, onde mais tarde veio a desempenhar o cargo de Presidente do Conselho de Administração. No auditório do Centro Materno-Infantil com o seu nome, vamos conhecer alguns dos dispositivos, instrumentos e práticas médicas que ajudam a contar uma história de êxito na administração da saúde pública no Norte e no país.

Lotação: 100 lugares

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"Três metáforas de árvores para uma árvore verdadeira", de Alberto Carneiro

12 mai.

Largo de São Domingos Mapa

convidados:

Floriano Santos / Pedro Prazeres

técnico:

Catarina Rosendo

descrição:

Com cinco, seis e sete metros de altura, respetivamente, as “três metáforas de árvore” são neste conjunto escultórico de Alberto Carneiro (1937-2017) acompanhadas de uma oliveira “verdadeira”, cuja sombra a partir de agora nos abrigará no Largo de São Domingos, epicentro da cidade comercial e zona onde afluem transeuntes em direção à Ribeira. Um arquiteto paisagista vai propor-nos dançar entre e com estas árvores, numa conversa de palavras, movimentos e sons moderada por uma das principais conhecedoras da obra do escultor e deste conjunto em particular, já que acompanhou de perto a sua conceção. Junta-se à sessão um dos engenheiros ligados à construção em granito, lembrando a frase de Carneiro: “Uma árvore é uma obra de arte quando recriada em si mesma como conceito para ser metáfora.”

Lotação: 90 lugares

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Pedra litográfica de Teles Ferreira

19 mai.

Gabinete do Munícipe Mapa

convidados:

José Pedro Paulo / Pedro Baganha

técnico:

Sofia Alves

descrição:

Pertencente a um conjunto de oito, esta pedra litográfica em calcário serviu para impressão da carta topográfica da cidade do Porto de 1892, que integra a coleção do Arquivo Histórico. A carta, à escala 1:5000, é da autoria do militar Augusto Gerardo Teles Ferreira, encomendada pela Câmara Municipal do Porto com a finalidade de servir como instrumento de planeamento urbanístico, tendo sido a primeira planta do concelho do Porto a ser elaborada com rigor científico e para fins civis. O resultado é um retrato rigoroso da cidade no final do século XIX, onde estão representados edifícios, jardins, zonas rurais, ribeiros, entre outros elementos naturais e patrimoniais, revelando-se uma importante fonte para conhecer as transformações urbanas da cidade desde o final do século XIX. Hoje em dia, os instrumentos cartográficos sofreram modificações extraordinárias, de que nos darão conta o vereador com os Pelouros do Urbanismo e do Espaço Público e o informático que está a desenvolver estas mesmas cartas para o século XXI.

Lotação: 90 lugares

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Órgão

26 mai.

Igreja de S. Bento da Vitória Mapa

convidados:

Fernando Miguel Jalôto / Elisa Lessa

técnico:

Isabel Sereno

descrição:

Sonoridades de flautas, violões, trombetas, címbalos, clarins, cornetas e até vozes humanas juntam-se a tantos outros sons numa orquestra guardada num único e complexo instrumento, o órgão. Magnífica no aparato barroco das caixas, varandas e torretas, em talha dourada, e na pintura polícroma dos tubos coroados por aves fantásticas, cúpulas e brasões, a capela de canto d’orgão de S. Bento da Vitória, obra do entalhador Gabriel Marques (1716-1722), foi colocada junto ao belíssimo cadeiral do coro alto da igreja, iluminada pelo amplo espelho envidraçado. O orgão foi concebido pelo mestre organeiro e monge beneditino, Frei Manuel de S. Bento, que nele trabalhou entre os anos de 1716 e 1717. Tendo sofrido alterações ao longo dos tempos, foi restaurado pela oficina de organaria Pedro Guimarães (1999-2001), uma história que nos será introduzida por Isabel Sereno, arquiteta que irá mediar a sessão, acompanhada pelo organista Fernando Miguel Jaloto e pela musicóloga e investigadora Elisa Maria Maia Silva Lessa.

Lotação: 190 lugares

Nota: Excecionalmente, esta sessão iniciar-se-á às 18h30.

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Sabonete-cordão da Ach Brito Claus Porto

02 jun.

Museu da Misericórdia do Porto Mapa

convidados:

José Manuel Sousa Lobo / Nuno Coelho

técnico:

Marta Marcelo

descrição:

Em 1887, Ferdinand Claus e Georges Schweder, empresários alemães radicados em Portugal, fundaram, no Porto, a primeira fábrica nacional de sabonetes e perfumes. A Claus & Schweder lançava-se assim no mercado, com várias linhas de produtos que passaram a integrar os hábitos dos portugueses. Aquando da primeira Guerra Mundial, os empresários viram-se obrigados a abandonar o país e a empresa é nacionalizada. Achilles de Brito, contabilista entretanto tornado sócio, cria, em 1918, a Ach Brito, cujos produtos inovadores e embalagens atrativas rapidamente conquistaram o público. Esta marca integra mais tarde a Claus & Schweder. Hoje, as empresas continuam ligadas, sendo a Claus Porto a gama de luxo do grupo Ach Brito. Produzidos artesanalmente, com recurso a técnicas centenárias, cada sabonete Claus comporta uma história e personalidade únicas. As embalagens, recuperadas do vasto portfólio da empresa, com padrões de inspiração vintage desenhados à mão, conferem à marca uma identidade ímpar. Nesta perfumada sessão, moderada por Marta Marcelo, representante da marca, um especialista em ciências farmacêuticas José Manuel Sousa Lobo e o designer especialista em rótulos Nuno Coelho ajudam-nos a conhecer um dos mais antigos e emblemáticos produtos da Claus Porto: o sabonete cordão.

Lotação: 90 lugares

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Um bicho de Luiz Ferreira

09 jun.

Palácio da Bolsa Mapa

convidados:

David Ferreira / Gonçalo Vasconcelos e Sousa

técnico:

Manuel Antunes

descrição:

São belos, são míticos, e são objeto de desejo de sucessivas gerações. Os “bichos” criados pelo ourives Luiz Ferreira (1909-1994) ultrapassam em muito a modelação da prata para se tornarem obras de arte de estilo inconfundível. Tendo começado a sua prática na Rua das Flores e seguindo em 1970 para a Rua Trindade Coelho, será – para não nos afastarmos demasiadamente da sua geografia afetiva – no Palácio da Bolsa que celebraremos, na companhia da família e do principal autor e especialista destas criações, jóias decorativas espalhadas por esse mundo fora em casas particulares, casas reais e estabelecimentos de luxo. Além dos anéis, brincos, pulseiras, colares e botões de punho, são os animais – coelhos, lagostas, cães, patos ou cisnes –, frequentemente articulados, que fazem as delícias de conhecedores e de apaixonados.

Lotação: 100 lugares

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Parca do monumento funerário de José Alves Barbosa

16 jun.

Cemitério de Agramonte Mapa

convidados:

Gisela Monteiro / Marta Várzeas

técnico:

Alda Bessa

descrição:

Estabelecido em 1855, o Cemitério de Agramonte só começou a receber os primeiros monumentos a partir da década de 1870, altura em que sofre uma profunda reestruturação, que lhe dá um carácter mais moderno em relação aos outros existentes na cidade. Passou então este cemitério a ser o preferido da elite portuense nos finais de Oitocentos. Para tal, muito terá contribuído o facto de algumas ordens Terceiras ali terem estabelecido os seus cemitérios privativos. Foi o caso da Ordem Terceira do Carmo, em cuja secção privativa se encontra o objeto desta semana. Num de quatro monumentos neogóticos idênticos, encontra-se a representação escultórica de uma das três Parcas, figuras da mitologia clássica que decidiam o destino de deuses e homens. Marta Várzeas, especialista em literatura clássica, ajudar-nos-á a conhecer melhor esta figura mitológica, enquanto Gisela Monteiro, fotógrafa que se dedica ao estudo da arte funerária, nos explicará a apropriação deste tema no contexto cemiterial, como representação metafórica da morte no período romântico.

Lotação: 60 lugares

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Labirinto de Buxus sempervirens

30 jun.

Parque de São Roque Mapa

convidados:

Francisco Guedes de Carvalho / Raul Ramos Pinto

técnico:

Gabriela Leite

descrição:

A Quinta da Lameira, hoje denominada Parque de São Roque, resultou da divisão da Quinta da Bela Vista e foi pertença das famílias Ramos Pinto e Cálem, unidas pelo casamento de Maria Eugénia Ramos Pinto e António de Oliveira Cálem. A propriedade, com a sua casa apalaçada setecentista e os jardins e mata anexos, foi adquirida pela Câmara Municipal do Porto à família Calém em 1979 e aberta ao público no mesmo ano. Nos seus mais de 40.000 m2, este parque mantém um sabor romântico, surpreendendo em cada recanto com as suas espécies exóticas, os seus lagos e repuxos, coretos, estátuas e minaretes. Mas o que talvez mais se destaca neste bosque é o seu labirinto de buxo, cuja beleza reside na simplicidade e carácter lúdico. Um arquiteto com especial apetência pela paisagem e um descendente da família Ramos Pinto ajudar-nos-ão a percorrer os caminhos deste labirinto, não para encontrar a saída mas para nos perdermos nos encantos de Ariadne.

Lotação: 100 lugares

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"A Selva", de Ferreira de Castro

07 jul.

Jardins da Casa Museu Marta Ortigão Sampaio Mapa

convidados:

Mário Trigo / Pedro Calheiros

técnico:

Paula Ribeiro de Faria

descrição:

A Selva, obra literária publicada em 1930, é considerada o romance mais autobiográfico de José Maria Ferreira de Castro. Tal como Alberto, personagem central da obra, também o autor emigrou em condições miseráveis para o Brasil, buscando melhores condições de vida. Também ele viu esta intenção falhar, restando-lhe trabalhar no seringal, ironicamente chamado de “Paraíso”. Marcando a consagração literária de Ferreira de Castro, A Selva serviu ao autor como catarse, pelas dificuldades passadas nos quatro anos que viveu no seringal, mas sobretudo por ter testemunhado as condições desumanas a que eram sujeitos os que trabalhavam na extração de borracha na selva amazónica. Embora não seja narrado na primeira pessoa, o romance é um relato pessoal da violência, da miséria e da degradação humana a que estavam sujeitos os trabalhadores, escravizados por uma dívida interminável, contraída para exercer o próprio trabalho. Nesta sessão, moderada pela jurista Paula Ribeiro de Faria, o especialista em literatura portuguesa Pedro Calheiros e Mário Trigo, ator e encenador que adaptou o romance ao teatro, transportam-nos para esta Selva, fazendo-nos refletir, como Ferreira de Castro, no sentido da vida e na fragilidade da condição humana.

Lotação: 60 lugares

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Relvado do Estádio do Dragão

14 jul.

Estádio do Dragão Mapa

convidados:

Rui Moreira / Álvaro Teixeira Bastos

técnico:

Jorge Nuno Pinto da Costa

descrição:

Projetado pelo arquiteto Manuel Salgado e inaugurado em 2003, o Estádio do Dragão assume-se como um ícone não só do desporto como da cultura da cidade e da região norte. Palco de vitórias e derrotas, de emoções ao rubro, o relvado do Estádio do Dragão é pisado, a cada época, por alguns dos melhores atletas do futebol internacional, acolhendo competições históricas, como o jogo de abertura do Euro 2004. Em cada disputa, ficam no relvado o sangue, o suor e as lágrimas dos guerreiros, da equipa visitante e da multipremiada equipa anfitriã. Mas nem só de futebol se faz a história deste relvado, pisado também por estrelas como os Rolling Stones, os Coldplay ou os Muse. O presidente da Câmara Municipal do Porto desafia o presidente do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, a abrir-nos as portas da casa dos dragões, e chama também à conversa um engenheiro e gestor da empresa responsável pela manutenção do relvado. Preferências clubísticas à parte, será uma oportunidade para conhecer de perto este emblemático recinto (na véspera da final do mundial de futebol que se disputará no Estádio Luzhniki, em Moscovo), no ano do 15º aniversário do Estádio do Dragão e do 125º aniversário do clube.

Lotação: 90 lugares

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Placa de homenagem a José Mário Branco

08 set.

Auditório Biblioteca Municipal Almeida Garrett Mapa

convidados:

José Mário Branco

técnico:

Anabela Mota Ribeiro

descrição:

Cantor e compositor, letrista e produtor, cuja carreira completa agora 50 anos, foi uma das vozes da nossa liberdade conquistada, e mesmo censurada nunca deixou de escrever poesia e música quando foi urgente que soasse. E tem-no sido até hoje, porque a atualidade e pertinência das causas e dos valores que tem cantado não deixou de se verificar. José Mário Branco (Porto, 25 de maio de 1942) é a figura homenageada desta Feira do Livro do Porto sucedendo, justamente, a Agustina Bessa-Luís, Vasco Graça Moura, Mário Cláudio e Sophia na Avenida das Tílias mais literária do país. Cursou economia e história, depois de ter abandonado o estudo do violino, chamou ao seu primeiro LP um verso de Camões (“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, 1971), foi perseguido pela PIDE e exilado político, interveio nos palcos da música, do teatro, da televisão e do cinema, desde cedo fez produção (fez arranjos em discos de Sérgio Godinho e José Afonso; os passos que ouvimos no início de “Grândola, Vila Morena” foram por ele gravados em Paris) e já maduro voltou à universidade para estudar linguística. Porque, como diz este cantautor da inquietação, “A revolução é concretíssima se começarmos por fazê-la dentro de cada um de nós”.

Lotação: 90 lugares

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Contador neorenascentista

15 set.

Casa Museu Guerra Junqueiro Mapa

convidados:

Anísio Franco / Pedro Santos

técnico:

Maria da Luz Marques

descrição:

Este contador italiano, parte da doação da família Guerra Junqueiro à Câmara Municipal do Porto em 1940, é um excelente exemplar de mobiliário civil neorenascentista, conforme teremos oportunidade de descobrir pelo relato de um historiador de arte especialista nestes objetos. Com catorze gavetas e dois cofres, moldado em madeira de ébano, apresenta embutidos de marfim na face interior das molduras das gavetas e porta central, formando na base motivos geométricos e envolto numa decoração vegetalista. Foi trazido para o Porto, para a casa do poeta, numa das suas muitas viagens enquanto colecionador. Nesta sessão propomos conhecer melhor este contador e as histórias que nos traz, com ajuda do Diretor Municipal de Finanças; pois, tal como nos séculos que nos antecederam, também hoje a contabilidade consiste num conjunto de operações de divisão e arrumação: em gavetas, em cofres ou em rubricas económicas, a boa gestão orçamental depende de cabimentos, categorias e classificações rigorosas.

Lotação: 60 lugares

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Cabeça marioneta

22 set.

Quinta de Bonjoia Mapa

convidados:

Isabel Barros / Tiago Bartolomeu Costa

técnico:

Raquel Castello-Branco

descrição:

Assinalam-se em 2018 as três décadas de vida do Teatro de Marionetas do Porto, instituição criativa da cidade que vem seguindo e ampliando a sua ação apesar do desaparecimento precoce do seu fundador e principal autor, João Paulo Seara Cardoso. A companhia – que além do Teatro na Rua de Belomonte, inaugurou em 2013 na mesma artéria o Museu das Marionetas – dinamiza um pólo pedagógico na Quinta de Bonjóia, onde parte do seu espólio serve para animar e ensinar as muitas crianças que usufruem deste espaço. Preparando-se para aqui instalar mais um objeto – a grande cabeça do espetáculo “Make Love Not War” (2010), encenação de Seara Cardoso a partir de “Lisístrata”, a peça contra a guerra escrita por Aristófanes – oportunidade para recordar trinta anos de criações teatrais, com a diretora da companhia e um dos teóricos que mais a vem acompanhando.

Lotação: 100 lugares

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Igreja do Mirante

29 set.

Praça Coronel Pacheco Mapa

convidados:

Helena Vilaça / Rita Mendonça Leite

técnico:

Sifredo Teixeira

descrição:

O templo da Igreja Evangélica Metodista do Mirante foi o primeiro templo protestante a ser construído à face da rua em Portugal, facto revelador de a cidade do Porto ser mais liberal e tolerante do que as demais, num tempo de falta de liberdade religiosa. Inaugurado no dia 25 de Março de 1877 e com capacidade para cerca de 200 pessoas, o templo ficou localizado no 1º andar. O rés-do-chão foi usado como escola primária que funcionou durante cerca de cem anos. Em 1934 foi colocada a fachada decorativa de azulejos, com desenho de um membro da Igreja, Delfim Gonçalves Vieira. De 1974 a 1975 realizaram-se obras de remodelação, projeto da arquiteta Maria Júlia Gaspar. Hoje reúne-se nesta igreja uma comunidade intergeracional e interétnica. O bispo da Igreja Evangélica Metodista, Sifredo Teixeira, pastor na Igreja do Mirante, uma socióloga cujo trabalho científico tem incidido de modo dominante sobre a religião, Helena Vilaça, e uma historiadora com obras sobre o Protestantismo na sociedade portuguesa, Rita Mendonça Leite, ajudam-nos a perceber a história e o papel da Igreja do Mirante.

Lotação: 190 lugares

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“Anatomia Esterna del Corpo Umano”

06 out.

Ordem dos Arquitetos - Secção Regional Norte Mapa

convidados:

Paulo Luís Almeida / Sílvia Manuela Andrade Bento

técnico:

Cláudia Costa Santos

descrição:

Uma gravura água-forte integra um fólio de um livro antigo de anatomia externa do corpo humano, destinado a alunos de pintura e escultura, com alguns exemplares de miologia (estudo dos músculos) e outros são de osteografia (descrição dos ossos). Através desta “Anatomia Esterna del Corpo Umano per uso de pittori e scultori”, da autoria de Ercole Lelli e Prefso Antonio Suntach, gerações de estudantes aprenderam a constituição do corpo humano, “medida para todas as coisas”, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, sucessora da Academia Portuense de Bellas Artes. Aqui se formaram os primeiros arquitetos da cidade, motivo pelo qual conhecemos, nesta sessão, a nova sede da sua Ordem, numa sessão moderada pela Presidente da Secção Regional Norte e que convoca ao debate um artista formado na FBAUP e uma professora de filosofia e estética.

Lotação: 90 lugares

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"História do Futuro", de Padre António Vieira

13 out.

Waat Studio Mapa

convidados:

Catarina Patrício / José Eduardo Franco

técnico:

Mónica Guerreiro

descrição:

Na História do Futuro, o Padre António Vieira deixa uma mensagem profética, anunciando – no século XVII – que caberia a Portugal a liderança do mundo civilizado no mitológico Quinto Império, um império cristão que sucederia aos quatro célebres predomínios da Antiguidade: assírio, persa, grego e romano. Considerada a primeira narrativa utópica escrita em português, foi publicado postumamente em Lisboa em 1718, sendo apenas um fragmento inacabado. Nas instalações dos Waat Studios, um estúdio de fotografia apetrechado com enorme ciclorama branco (um fundo fixo que transmite a ideia de infinito), vamos conhecer ou recordar este relato do mundo: “A história mais antiga começa no princípio do Mundo; a mais estendida e continuada acaba nos tempos em que foi escrita. Esta nossa começa no tempo em que se escreve, continua por toda a duração do Mundo e acaba com o fim dele. Mede os tempos vindouros antes de virem, conta os sucessos futuros antes de sucederem, e descreve feitos heróicos e famosos, antes de a fama os publicar e de serem feitos.” Uma antropóloga, professora e artista visual e um grande especialista na obra vieiriana serão os condutores nesta viagem ao futuro.

Lotação: 100 lugares

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Maquinaria de cena do auditório

20 out.

Teatro Campo Alegre Mapa

convidados:

Pedro Vieira de Carvalho / Wilma Moutinho

técnico:

Tiago Guedes

descrição:

Não é magia, mas a ilusão que é gerada pela manipulação dos equipamentos técnicas que apetrecham a caixa do palco (varas, projetores, máquinas de fumo, bambolinas, quarteladas…) transporta-nos frequentemente para imaginários fora da realidade. A partir do black-out, o público é convidado a suspender a descrença e a apreciar os movimentos da maquinaria de cena e da luz, devidamente explicados pelo diretor técnico do teatro e por uma desenhadora de luz acostumada a extrair destas máquinas o máximo de efeitos cénicos, enriquecendo a experiência dramática. Despido o palco de atores, cenários e adereços, vamos descobrir – numa sessão moderada pelo diretor artístico do Teatro Municipal do Porto – que segredos se escondem nos palcos e como facilmente nos enganam os sentidos.

Lotação: 100 lugares

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"A Filosofia de Alcova", de Marquês de Sade

27 out.

Biblioteca Pública Municipal do Porto Mapa

convidados:

Nuno Amorim / Pedro Piedade Marques

técnico:

Guilherme Blanc

descrição:

Fernando Ribeiro de Mello (1941-1992) foi um dos principais editores da resistência anti-fascista, “maldito” e perseguido pelo regime do Estado Novo pela audácia das suas publicações: desde logo, as cuidadíssimas edições da Afrodite, “casa” de autores como Natália Correia (“O Encoberto”, 1977 ou “Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica”, 1965) ou Marquês de Sade (“A Filosofia na Alcova”, 1966 e 1975) e de títulos como “Antologia do Humor Português” (1969). Neste sessão, por ocasião da exposição evocativa da figura e obra deste editor “do contra”, o curador e um ilustrador recordarão a história dos volumes censurados – e que, ainda assim, circulavam – nos quais Ribeiro de Mello viria a insistir nos Verões quentes do PREC: uma reedição (depois da primeira tradução ter sido renegada) com tradução de Manuel João Gomes e novas ilustrações de Martim Avillez, além de um curioso posfácio que reproduz os documentos oficiais do “processo Sade” de 1966-67 e transcrições dos depoimentos das testemunhas.

Lotação: 70 lugares

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Eco

03 nov.

Academia de Música de Costa Cabral Mapa

convidados:

Nuno Vaz de Moura / Leonor Oliveira

técnico:

Francisco Ferreira

descrição:

Um eco é um som repetido, reenviado por um corpo duro, devido à reflexão das ondas sonoras. A infeliz história desta jovem ninfa grega vai variando consoante os relatores – à cabeça dos quais Ovídio – mas conta-se de um trago. Percorrendo bosques e vales, Eco era conhecida por uma característica: gostar sempre de ter a última palavra em qualquer conversa em que tomasse parte. Bem-falante, adorava ouvir-se e foi punida por Hera a ter sempre a última palavra, mas não por si escolhida. Foi condenada a apenas poder falar repetindo o que outros dissessem. Nesta sessão, vamos discutir o castigo de Eco – e a infeliz relação com Narciso, com a presença do historiador de arte Nuno Vaz de Moura – e as suas repercussões acústicas, para lá da mitologia – com a jovem soprano Leonor Oliveira – nesta sessão que acontece numa escola de música rodeada de belos jardins, a Academia de Costa Cabral.

Lotação: 70 lugares

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"Livro dos Condenados à Pena Última"

10 nov.

Museu do Tribunal da Relação do Porto Mapa

convidados:

Luís Farinha / Paulo Filipe Monteiro

técnico:

Nuno Ataíde das Neves

descrição:

Nesta “Relação dos Reos Sentenciados à Pena de Morte cujas Sn.ças são aqui Registadas”, do Tribunal da Relação do Porto, em dois tomos, encontramos as sentenças de juízes de inúmeros tribunais condenando “a morrer na forca”, “a morrer de morte natural”, “à pena de morte” ou “a morrer de morte natural para sempre na forca”. São identificados 206 indivíduos, do sexo feminino e masculino, no período de 1836 a 1867, referindo-se a natureza do crime e, na maior parte dos casos, a comutação de pena por Sua Majestade bem como, nos pouco mais de 10 casos em que tal ocorreu, a efetiva execução. Tendo-se celebrado, em 2017, os 150 anos da Carta de Lei de 1 de Julho de 1867 que aboliu em Portugal a pena de morte para crimes civis, estes registos para lá do seu valor histórico intrínseco constituem também o testemunho e oportunidade de reafirmação do pioneirismo de Portugal no século XIX ao abolir na lei a pena capital (21 anos depois de ter executado um condenado, pela última vez, em 1846 e na cidade de Lagos). O nosso anfitrião, Juiz Desembargador, conversa com um especialista na matéria e com outro investigador e também docente, guionista e realizador, autor da série “A Viúva do Enforcado” (SIC, 1993) a partir de Camilo.

Lotação: 100 lugares

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Igreja de São Martinho de Cedofeita

17 nov.

Igreja de São Martinho de Cedofeita Mapa

convidados:

Manuel Real / Sara Rocha

técnico:

António Ponte

descrição:

A Igreja de São Martinho de Cedofeita é considerada a mais antiga igreja do Porto. A primitiva construção, provavelmente do período suevo, estará ligada à origem toponímica local. Segundo a lenda, o templo foi construído com tal rapidez que era referido como Cito Facta, que significa Feito Cedo, expressão que derivou em Cedofeita. Ainda que as fontes documentais sejam insuficientes para o provar, será também deste período a invocação a S. Martinho, a quem o rei suevo Teodomiro terá dedicado a igreja, após a cura do seu filho em presença das relíquias do santo. A construção hoje existente foi alvo de sucessivas transformações ao longo dos séculos, mas a sua fase plenamente românica data da viragem para o século XIII. Assume grande importância no contexto da História da arte, ao ser um dos primeiros monumentos românicos do Norte a repetir o formulário escultórico e iconográfico coimbrão. Desde 1910, a Igreja é Monumento Nacional. Na semana em que se revivem as tradições de S. Martinho, o especialista em arqueologia e arte medieval Manuel Real e a historiadora de arte Sara Rocha serão nossos guias nesta verdadeira viagem no tempo, numa sessão moderada por António da Ponte, Diretor Regional de Cultura do Norte.

Lotação: 80 lugares

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Microscópio

24 nov.

I3S Instituto de Investigação e Inovação em Saúde Mapa

convidados:

Pedro Nogueira / Rosalia Vargas

técnico:

Manuel Sobrinho Simões

descrição:

Bem-vindos ao emblemático edifício do i3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde) onde conheceremos um objeto que é testemunha da própria investigação em Portugal: o microscópio eletrónico Siemens Elmiskop 1A. A sua produção alemã data de 1945-55 e simboliza, encontrando-se à entrada dos avançados laboratórios de hoje, a história da evolução científica até aos padrões que hoje a caracterizam. Graças ao patrono Fundação Gulbenkian, o microscópio chegou em 1964 ao então Centro de Microscopia Electrónica, que deu origem ao Centro de Citologia Experimental, mais tarde convertido no Instituto de Biologia Molecular e Celular que, numa parceria com INEB e IPATIMUP já na segunda década deste século, culminou no estabelecimento do i3S, uma referência a nível internacional. O microscópio eletrónico Elmiskop 1A trabalhou até 1992 e tirou mais de 200.000 fotografias publicadas em muitos trabalhos. No Dia Internacional do Cientista e da Cultura Científica, o anfitrião, Sobrinho Simões, convida para a conversa com o público a diretora da Agência Nacional Ciência Viva, Rosalia Vargas, e o especialista em lentes, e funcionário da Leica, Pedro Nogueira.

Lotação: 100 lugares