um objeto
e seus
discursos
por
semana

O desafio que lançámos à cidade de se revelar através de conversas semanais em torno do seu património material e imaterial deu origem a um dos nossos projetos mais ambiciosos. Com mais de 100 convidados todos os anos, e a um ritmo semanal, os ciclos Um Objeto e seus Discursos por Semana inscrevem-se hoje de forma particularmente viva na rotina cultural do Porto.

Na sua simplicidade concetual e frugalidade organizativa, esta iniciativa conseguiu transformar-se num forte veículo de reativação patrimonial, de descoberta do território urbano e de ligação à nossa identidade cultural, passada e presente.

Ao longo das várias edições, complementamos o sistemático puzzle de histórias que foi sendo montado desde o início, em 2014, através do património municipal, de grandes instituições da cidade, de objetos de natureza diversa no domínio público ou privado.

Falamos de património, e portanto de valor absoluto, com importância cultural, histórica, arquitetónica, paisagística, arqueológica, industrial, científica, gastronómica, até mitológica e do imaginário coletivo local.

Desta vez, e pelo sexto ano consecutivo, o ciclo percorre exclusivamente museus: núcleos e coleções de arte e ciência, mais ou menos conhecidos, formulam assim convite à redescoberta dos seus segredos. Debatemos objetos museológicos e simultaneamente ideias, valores e sabores; cruzamos convidados dos quadrantes sociais e dos saberes mais diversos – da engenharia à fotografia, passando pela escultura, pela saúde ou pela fé.

Um Objeto e seus Discursos por Semana é conhecimento, inclusão e circulação. É uma experiência de cidade. De toda uma cidade que se projeta no futuro através do amor que nutre pela sua história.

Ajude-nos também a registar as memórias das suas experiências ao longo destes anos. Envie-nos para patrimoniocultural@cm-porto.pt textos, fotografias, desenhos, impressões sobre os objetos e os discursos mais marcantes para si. Está em preparação um best of do Um Objeto e seus Discursos por Semana que precisa do seu contributo e do seu testemunho.

Rui Moreira
Presidente da Câmara
Municipal do Porto

bilhetes

Participação gratuita mas limitada à lotação indicada para cada sessão. Garanta o seu lugar, levantando semanalmente bilhete (máximo dois por pessoa) em www.bilheteiraonline.pt ou nos locais habituais.

Todas as sessões têm início às 18h00.

Mais informações:
patrimoniocultural@cm-porto.pt | (+351) 223 393 480

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1-Museu Romântico da Quinta da Macieirinha (9 Mar)
 Rua de Entre-Quintas, 220
2- Casa do Infante (16 Mar)
Rua da Alfândega, 10
3-Museu das Marionetas do Porto (23 Mar)
Rua de Belmonte, 61
4-Museu Nacional Soares dos Reis (30 Mar)
Rua D. Manuel II, s/n
5-Museu Futebol Clube do Porto
(6 Abr)

Via Futebol Clube do Porto - Estádio do Dragão
6-Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto (13 Abr)
Largo do Colégio
7-Átrio dos Paços do Concelho
(27 Abr)

Praça General Humberto Delgado
8-Museu da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto
(4 Mai)

Av. Rodrigues de Freitas, 265
9-Casa Museu Fernando de Castro (11 Mai)
Rua de Costa Cabral, 716
10-Museu do Vinho do Porto
(18 Mai)

Rua da Reboleira, 33-37

11-Museu Nacional da Imprensa (25 Mai)
Estrada Nacional 108, nº 206
12-Museu da Misericórdia do Porto (1 Jun)
Rua das Flores, 15
13-Centro Português de Fotografia (8 Jun)
Largo Amor de Perdição
14-Galeria da Biodiversidade - Centro Ciência Viva / MHNC-UP
(15 Jun)

Rua do Campo Alegre, 1191
15-Casa Museu Guerra Junqueiro (22 Jun)
Rua de D. Hugo, 32
16-Museu de História da Medicina Maximiano Lemos (FMUP) (29 Jun)
Alameda Prof. Hernâni Monteiro
17-Museu dos Transportes e Comunicações (6 Jul)
Edifício da Alfândega Rua Nova da Alfândega
18-Casa Museu Marta Ortigão Sampaio (13 Jul)
Rua Nossa Senhora de Fátima, 291
19-Casa Tait (14 Set)
Rua de Entre Quintas, 219
20-Banco de Materiais (21 Set)
Praça de Carlos Alberto, 71

21-Museu da Farmácia (28 Set)
Rua Engº Ferreira Dias, 728
22-Museu Judiciário do Tribunal da Relação (12 Out)
Palácio da Justiça – Campo dos Mártires da Pátria
23-Museu do Papel Moeda
(19 Out)

Avenida da Boavista, 4245
24-Reservatório da Pasteleira
(26 Out)

Rua de Gomes Eanes de Azurara, 122
25-Museu da Escola Rodrigues de Freitas (2 Nov)
Praça Pedro Nunes
26-Museu de Anatomia Prof. Nuno Grande (ICBAS) (9 Nov)
Rua Jorge Viterbo Ferreira, 228
27-Museu do Instituto Superior de Engenharia do Porto (16 Nov)
Rua Dr. António Bernardino de Almeida, 431
28-Museu de História Natural e da Ciência da UP (23 Nov)
Praça Gomes Teixeira
29-Museu de Serralves (30 Nov)
Rua D. João de Castro, 210
30-Museu do Carro Elétrico
(7 Dez)

Alameda Basílio Teles, 51
31-Museu da Igreja de São Francisco
(14 Dez)

Rua do Infante D. Henrique

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Estojo de Toilette masculino

09 mar.

Museu Romântico da Quinta da Macieirinha MAPA

convidados:

Ana Bárbara Barros / Manuel Cardoso

técnico:

Mónica Guerreiro

descrição:

No século XIX viajar constitui uma das práticas quotidianas prediletas das famílias mais abastadas e essa realidade leva à produção de um conjunto de objetos utilitários e portáteis, como os estojos de viagem ou necessaires. Nas suas deslocações, os viajantes endinheirados faziam-se acompanhar de sofisticadas e requintadas maletas, nas quais transportavam os seus pertences mais pessoais. Desde modelos mais simples e sóbrios até verdadeiros acessórios de luxo, estas pequenas unidades portáteis transportavam em segurança os mais variados objetos e utensílios da área da higiene pessoal, joalharia, costura, escrita, alimentação, fumo ou até material médico ou científico. Uma museóloga desvenda os segredos guardados em cada compartimento deste estojo pertencente à coleção do Museu Romântico, à conversa sobre hábitos de beleza no masculino com um dos mais carismáticos barbeiros que há 30 anos trabalha na baixa portuense.

Lotação: 60 lugares

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Portas da Adega São Martinho

16 mar.

Casa do Infante MAPA

convidados:

Ricardo Valente / Hélder Pacheco

técnico:

Helena Gil Braga

descrição:

As inconfundíveis portas azuis da Adega São Martinho, que durante quase meio século estiveram abertas na Rua de D. João IV, são o objeto e pretexto para uma sessão em torno do comércio tradicional da cidade, onde está patente a exposição “Lojas do Porto: História e Identidade”. O vereador da Economia, Comércio e Turismo e o historiador Hélder Pacheco, um dos autores da exposição, juntam-se à mesa para recuperar a memória deste e outros espaços característicos do Porto, em que não faltarão referências aos petiscos acompanhados de copos bem cheios, às expressões e tradições populares ou às acesas discussões sobre o jogo da noite anterior. Recuperamos histórias, estórias e memórias de uma atividade que vai muito para além da vertente comercial.

Lotação: 70 lugares

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Marioneta Lobo Diogo

23 mar.

Museu das Marionetas do Porto MAPA

convidados:

Júlio Vanzeler / Paula Abrunhosa

técnico:

Isabel Barros

descrição:

Lobo Diogo e o Mosquito Valentim é uma fábula de certo cariz político, que constitui o ponto de partida da cantata musical profana do compositor Eurico Carrapatoso. Levada ao palco da Casa da Música em 2006, com o Teatro das Marionetas do Porto, a Orquestra Nacional do Porto e um grupo coral infantojuvenil, esta peça encenada por João Paulo Seara Cardoso conta-nos a história de um lobo que decide auto proclamar-se rei da floresta, divertindo-se à custa do mal que causa aos outros animais, e de um valente mosquito que, mesmo na sua pequenez, consegue devolver a paz à floresta e seus habitantes. Na semana em que se assinala o dia mundial da marioneta, vamos conhecer alguns segredos desta arte performativa que dá vida aos bonecos, personagens de histórias que encantam todas as gerações. Com moderação de Isabel Barros, a sessão conta com a presença da narradora e do ilustrador e autor das marionetas usadas na encenação da fábula.

Lotação: 40 lugares

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Biombos Namban

30 mar.

Museu Nacional Soares dos Reis MAPA

convidados:

Paula Oliveira / Alexandra Curvelo

técnico:

Maria João Vasconcelos

descrição:

Essenciais em ambientes domésticos asiáticos, os biombos serviam para compartimentar os espaços interiores, protegendo e ocultando ambientes mais íntimos. Executados normalmente em pares, compunham-se de um número variável de painéis articulados cobertos de papel ou seda. A decoração nunca era descurada, pelo que muitas destas peças assumem-se como verdadeiras obras de arte. A chegada dos portugueses ao Japão, em 1543, originou um período de intercâmbio comercial e cultural tão intenso que deu nome a uma época da história e cultura japonesas. A arte Namban, assim chamada por se desenvolver no período de contacto com os povos europeus, a quem os japoneses chamavam “Namban-jin” (os “bárbaros do Sul”) constitui um testemunho documental e visual imprescindível para a história da expansão portuguesa e das relações entre Portugal e o Japão. Muitas vezes comparado com uma espécie de banda desenhada que retrata o momento da chegada dos portugueses ao Japão, o par de biombos Namban da coleção do Museu Nacional de Soares dos Reis transporta-nos no tempo e no espaço e revela muito sobre a cultura japonesa, assunto de que nos falarão a historiadora de arte Alexandra Curvelo e a conservadora do museu, Paula Oliveira.

Lotação: 50 lugares

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"Valquíria Dragão"

06 abr.

Museu Futebol Clube do Porto MAPA

convidados:

Miguel von Hafe Pérez / José Neto

técnico:

Jorge Maurício Pinto

descrição:

As valquírias, personagens guerreiras femininas da mitologia nórdica, sobrevoavam os campos de batalha de Midgard, o mundo dos homens, com a missão de cuidar dos espíritos dos guerreiros mortos em combate, escolhendo aqueles que eram dignos de serem transportados aos salões de Valhala para compor a guarda pessoal de Odin. São estes seres mitológicos que desde 2004 servem de inspiração à artista Joana Vasconcelos, que cria uma série de obras que também elas, suspensas dos tetos, parecem sobrevoar-nos. Composta por troféus desportivos, croché em lã feito à mão, tecidos e adereços, a Valquíria Dragão (2013) que nos recebe à entrada do Museu do FC Porto carrega o espírito guerreiro e a bravura de cada vitória, de cada glória vivida na história do clube. No dia mundial da atividade física, o diretor de programação Jorge Maurício Pinto acolhe-nos sob este “céu” reluzente para uma conversa com o curador e crítico de arte Miguel von Hafe Pérez e o professor e metodólogo de treino José Neto.

Lotação: 100 lugares

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Cristo Gótico

13 abr.

Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto MAPA

convidados:

Sandra Costa Saldanha / Augusto Ferreira

técnico:

José Alfredo Ferreira da Costa

descrição:

Uma ala seiscentista do antigo Colégio Jesuíta de São Lourenço acolhe hoje em dia o Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição do Porto. Por entre uma rica exposição de pintura, iluminura, paramentaria, alfaias litúrgicas e achados arqueológicos, o outrora “corredor das lousas” afigura-se hoje como uma admirável galeria de escultura religiosa, com peças datadas entre os séculos XIII e XIX. No momento em que se vive a renúncia quaresmal, vamos até ao MASA conhecer uma interessante figura de Cristo crucificado datado do período medieval. A diretora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja e um mestre santeiro falam-nos desta peça e da arte de esculpir o sagrado.

Lotação: 190 lugares

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"Demolição, 4"

27 abr.

Átrio dos Paços do Concelho MAPA

convidados:

Fernanda Fragateiro / João Azinheiro

técnico:

Guilherme Blanc

descrição:

Através de uma composição escultórica que integra livros e restos de uma demolição, a artista Fernanda Fragateiro questiona ideias feitas sobre a estabilidade ou perenidade do material, a sua decomposição e desaparecimento, o devir entre construção e destruição, ou a beleza que surge da ruína. Demolição, 4 é o título da obra que será mote para esta conversa, a decorrer no átrio dos Paços do Concelho, onde se vêm regularmente realizando exposições (nomeadamente de arte contemporânea). A obra foi comprada pelo Município do Porto em 2018 no âmbito da reativação da política de aquisições da Coleção de Arte Municipal. Fernanda Fragateiro (Montijo, 1962) tem vindo a produzir obra que consistentemente tematiza a importância do espaço construído e o exercício de poder que este produz e estimula, bem como a endémica invisibilização das mulheres na produção de espaço. Articulando conceptualmente ferramentas da arquitetura, da escultura e da história de arte, a artista intervém ativamente no debate sobre a criação de espaços de conhecimento: “se enquanto objeto, os livros podem ser transformados, originando pequenos edifícios, desenhos ou pedras de calçada, enquanto conteúdo representam ideias que operam num processo de construção”.

Lotação: 140 lugares

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I Exposição Magna – ESBAP 1952

04 mai.

Museu da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto MAPA

convidados:

Lúcia Almeida Matos / João Barata Feyo

técnico:

Luís Pinto Nunes

descrição:

Em 1952 acontece a primeira edição das “exposições magnas” que a então Escola Superior de Belas Artes do Porto realizou anualmente, por iniciativa do diretor Carlos Ramos, até 1968. Concebida como parte da missão pedagógica da instituição, por orientação do Conselho Escolar da ESBAP, a exposição magna foi uma mostra anual de arquitetura, pintura e escultura, “o pacto das três artes maiores”, na Sociedade Nacional de Belas Artes, exibindo “os trabalhos dos alunos mais classificados durante o ano letivo anterior, a par dos professores a quem competia o ensino daquelas especialidades, dando assim a conhecer a seu tempo, e publicamente, o produto das atividades profissionais e escolares de mestres e alunos.” Oportunidade para revisitar o legado de Carlos Ramos, o objeto desta sessão é a memória desta primeira exposição coletiva, cuja particular circunstância (a escassez de trabalhos para expor) ditou que a mesma se dedicasse fundamentalmente a homenagear o professor escultor Salvador Barata Feyo (1899-1990). A diretora da Faculdade, Lúcia Almeida Matos, e João Barata Feyo, escultor, arquiteto e professor universitário, protagonizam esta conversa.

Lotação: 80 lugares

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Casa Museu Fernando de Castro

11 mai.

Casa Museu Fernando de Castro MAPA

convidados:

Goretti Moreira / José Manuel Costa Reis

técnico:

Maria João Vasconcelos

descrição:

Negociante, poeta, caricaturista e ávido colecionador, Fernando de Castro (1889-1946) dedicou grande parte da sua vida a colecionar peças com que decorou a sua própria casa, com o objetivo de a tornar num museu. Aparentemente sem qualquer critério museológico, foi reunindo na sua habitação pinturas datadas entre os séculos XVI e XX, diversas esculturas quase exclusivamente de temática religiosa, algumas peças de cerâmica e uma impressionante quantidade de talha dourada proveniente de várias igrejas e conventos, com a qual revestiu grande parte do interior da casa. Após a morte de Fernando de Castro, que não deixou testamento e não tinha descendentes, foi a sua irmã que doou a casa e todo o seu espólio ao Estado, estando a casa-museu sob a tutela do Museu Nacional de Soares dos Reis desde a sua fundação, em 1952. Deslumbrante para uns, excessiva para outros, a verdade é que esta casa oferece uma atmosfera única, que não deixa ninguém indiferente. Goretti Moreira e José Manuel Costa Reis ajudam-nos a descobrir cada recanto deste peculiar espaço doméstico e a conhecer a personalidade do seu criador.

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Catálogo da Exposição Histórica do Porto, de 1934

18 mai.

Museu do Vinho do Porto MAPA

convidados:

Álvaro Sequeira Pinto / José Capela

técnico:

Liliana Pereira

descrição:

Organizada por Pedro Vitorino e Artur de Magalhães Basto, a Exposição Histórica do Porto teve lugar em junho de 1934, por iniciativa do então Presidente da Câmara, Alfredo Magalhães. Pela primeira vez a cidade mostrava-se em função da arte aqui produzida, numa ótica de revelação e anúncio de uma certa forma de criar visibilidade para o trabalho dos artistas (talvez mesmo uma operação precursora do programa “Anuário” que se encontra patente neste momento na Galeria Municipal). Inspirado por uma das 62 imagens que integram o catálogo então publicado, o arquiteto e cenógrafo José Capela recriou, num dos pisos das novas instalações do Museu do Vinho do Porto, um ambiente que remete explicitamente para essa exposição. No dia internacional dos museus, o Catálogo da Exposição Histórica do Porto dá o mote para uma conversa em torno do novo programa museológico do mais recente museu municipal, que vamos conhecer através dos discursos do próprio José Capela e do colecionador Álvaro Sequeira Pinto.

Lotação: 50 lugares

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Impressora offset

25 mai.

Museu Nacional da Imprensa MAPA

convidados:

César Príncipe / Nassalete Miranda

técnico:

Luís Humberto Marcos

descrição:

A rotativa MAN Werk Augsburg foi a primeira impressora offset de jornais que existiu em Portugal. Corria o ano 1969 quando foi comprada pela Renascença Gráfica, empresa proprietária do Diário de Lisboa. O importante vespertino na oposição ao regime de Salazar/Caetano foi então o primeiro jornal português a imprimir-se em offset (fora de lugar). Esta técnica de impressão é baseada na repulsão entre a água e a tinta gordurosa e surgiu na segunda metade do século XX, trazendo mais qualidade e rapidez à impressão. A rotativa offset marca assim uma época de grande transformação gráfica e ainda hoje, apesar da revolução digital, o sistema continua a dar cartas em muitos jornais em todo o mundo. Luís Humberto Marcos mostra-nos este objeto que em breve virá enriquecer a coleção do Museu Nacional da Imprensa e chama à conversa os jornalistas César Príncipe e Nassalete Miranda.

Lotação: 80 lugares

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Bandeira Processional dos Condenados

01 jun.

Museu da Misericórdia do Porto MAPA

convidados:

Isabel dos Guimarães Sá / Francisco Ribeiro da Silva

técnico:

António Tavares

descrição:

A 31 de maio assinala-se o dia nacional das Misericórdias, instituições que ainda hoje se revelam imprescindíveis na área da solidariedade social, contribuindo para a melhoria das condições e da qualidade de vida da comunidade. Desde a sua fundação, a 14 de março de 1499, a Santa Casa da Misericórdia do Porto prestou assistência aos grupos mais desfavorecidos da nossa sociedade, cumprindo as 14 obras de misericórdia preconizadas pela fé cristã. Durante séculos, uma das missões da Misericórdia foi auxiliar os presos pobres e desamparados das cadeias da cidade e acompanhar os condenados à morte desde o cárcere até à forca. Para tal, era organizado um cortejo, a “Procissão dos Padecentes”, que partia da Igreja da Misericórdia e passava pela Cadeia da Relação, terminando na Praça da Ribeira, onde se erguia o patíbulo. Pintada em 1613 por Francisco Correia e Domingos Lourenço Pardo, a bandeira processional dos condenados integrava a “Procissão dos Padecentes”, representando o apoio espiritual prestado pela Misericórdia do Porto. Uma investigadora da história das Misericórdias e um historiador de arte lançam assim um olhar sobre esta peça rara da coleção exposta no MMIPO que, para além do seu valor artístico, transporta uma forte carga histórica, simbólica e social.

Lotação: 90 lugares

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"Dia Tempestuoso"
© João Martins (1898 - 1972), PT/CPF/JPCF/000039, Imagem cedida pelo Centro Português de Fotografia.

08 jun.

Centro Português de Fotografia MAPA

convidados:

Rui Batista / Álvaro Garrido

técnico:

Bernardino Castro

descrição:

Num dia tempestuoso, como certamente Magalhães terá enfrentado muitos na sua viagem de circum-navegação, dois homens sobem o cordame do mastro de um navio perscrutando o horizonte. O objeto desta semana é uma fotografia dos anos 30 do século XX, característica da estética salonista, plena do simbolismo da viagem feita a um destino a descobrir… A imagem do arquivo do fotógrafo João Martins, de que o Centro Português de Fotografia é detentor, esteve patente no Salon International de Photographie in Belgio, 9-19 Aprilis 1936 e hoje vem inspirar os nossos oradores – um jornalista apaixonado por viagens e um historiador – a navegarem pelos seus percursos pessoais e profissionais, numa viagem com uma dimensão não só física mas também mental. Assim se assinala o dia internacional dos arquivos, apresentando um documento de um fotógrafo desconhecido do grande público e cuja escolha é inspirada pelas comemorações do quinto centenário da primeira viagem de circum-navegação de Fernão Magalhães.

Lotação: 50 lugares

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Estátua dita d'O Rapaz de Bronze

15 jun.

Galeria da Biodiversidade - Centro Ciência Viva / MHNC-UP MAPA

convidados:

Martim Sousa Tavares / Paulo Farinha Marques

técnico:

Fátima Vieira

descrição:

No ano em que se comemora o centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner, encontro marcado naquela que foi a casa dos seus avós e onde passou largas temporadas na sua infância. Os jardins da Quinta do Campo Alegre foram o recreio de Sophia que, mais tarde, com as memórias povoadas das fantasias infantis criadas nestes imensos jardins, lhes fará várias referências nos contos e poemas que escreve. Atualmente sob tutela da Universidade do Porto, este que é hoje o Jardim Botânico guarda, num dos seus belos recantos, uma estátua que desde há muitos anos vem sendo apresentada como “o rapaz de bronze”, como no famoso conto de Sophia. Mas será que é mesmo? Que escultura é esta afinal, que não é um rapaz nem é de bronze? O arquiteto paisagista curador dos jardins e a vice-reitora da Universidade do Porto juntam-se à conversa com Martim Sousa Tavares, neto da poeta, para levantar o véu que cobre este segredo bem guardado.

Lotação: 100 lugares

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S. João Baptista

22 jun.

Casa Museu Guerra Junqueiro MAPA

convidados:

Sara Rocha / Luís Pisco

técnico:

Inês Ferreira

descrição:

São João Baptista é o único Santo do calendário hagiológico de quem se celebram duas festividades: a do nascimento e da morte. É um dos santos populares mais celebrados em toda a Europa, mas em mais nenhuma cidade se festeja o São João como no Porto. Uma manifestação popular cheia de tradições e rituais que contagiam e arrastam para rua verdadeiras multidões. Cada freguesia, cada bairro, cada esquina e cada casa se preparam a rigor, transformando toda a cidade num verdadeiro palco de festa. Mas quem é, afinal, este São João que se celebra? Qual a sua ligação com o Porto, não sendo o seu padroeiro? O que faz esta festa tão especial que se enraíza na cultura de um povo, de uma comunidade, sem conseguir deixar indiferentes todos aqueles que por estes dias nos visitam? Uma especialista em iconografia e um antropólogo falam destas e outras questões, numa sessão dedicada à maior festividade do Porto, na véspera da noite mais longa e luminosa.

Lotação: 60 lugares

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Estojo de amputação

29 jun.

Museu de História da Medicina Maximiano Lemos (FMUP) MAPA

convidados:

José Manuel Lopes Teixeira Amarante / Fernando Reis Lima

técnico:

Amélia Ricon Ferraz

descrição:

Ainda que nos pareça estranho, a amputação é dos processos cirúrgicos mais antigos que existe, quase tão antigo quanto a própria humanidade. Durante séculos, o processo de remoção de extremidades do corpo humano foi usado como solução médica para eliminar dores ou doenças irreparáveis nos membros afetados, mas não só. Vários momentos da história mostram como era frequente o usa da amputação como forma de punição por algum crime ou comportamento desviante. Castigo ou cura, certo é que a amputação era uma solução extrema e, como ainda hoje, uma das intervenções mais traumáticas. Mas consegue imaginar como seria fazer uma amputação antes da invenção da anestesia, antes dos antibióticos ou antes de qualquer cuidado asséptico? A médica que dirige o Museu de História da Medicina Prof. Maximiano Lemos e dois cirurgiões com percursos profissionais bastante diferentes contam-nos, através deste estojo de amputação do século XVIII, um pouco da história e da (feliz) evolução da medicina.

Lotação: 150 lugares

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Rolls-Royce Phantom V

06 jul.

Museu dos Transportes e Comunicações MAPA

convidados:

Luis Cunha / Jorge Fernando Alves

técnico:

António Gouveia Santos

descrição:

Com matrícula de novembro de 1960, este Rolls-Royce Phantom V foi adquirido pelo Estado Português no ano seguinte e colocado ao serviço da Presidência da República para o chamado “serviço extraordinário especial”. Foi o carro do então Presidente Almirante Américo Tomás em numerosos atos oficiais e cerimónias protocolares. Objeto de desejo para muitos colecionadores, apenas se fabricaram 516 exemplares deste Phantom V. O último “serviço extraordinário especial” da viatura ocorreu aqui no Porto, em novembro de 2016, quando, em plena Avenida dos Aliados, transportou os Reis de Espanha na sua visita oficial. Este Rolls-Royce Phantom V integra orgulhosamente a exposição “O motor da República: os carros dos Presidentes” e, em conjunto com outros veículos que estiveram ao serviço da Presidência desde 1910, convida-nos a uma viagem pela história da República Portuguesa. Um especialista em automóveis clássicos e o autor da biografia de Rodrigues de Freitas, figura incontornável do 31 de janeiro, conversam em torno do papel do Porto na história da República e de uma das viaturas que transportou Presidentes e ilustres convidados.

Lotação: 60 lugares

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"Autorretrato com Chapéu"

13 jul.

Casa Museu Marta Ortigão Sampaio MAPA

convidados:

Isabel Andrade Silva / Maria de Aires Silveira

técnico:

Rafael Fernandes

descrição:

Sofia Martins de Souza nasceu na freguesia de Bonfim, a 23 de março de 1870. Irmã da conhecida pintora Aurélia de Souza, com ela recebeu lições particulares de Caetano da Costa Lima e frequentou, entre 1893 e 1899, a Academia Portuense de Belas-Artes, onde ambas foram discípulas de Marques de Oliveira. Também ambas prosseguiram os estudos em Paris, na Academia Julian, sendo Sofia financiada pela sua irmã Maria Estela e pelo cunhado Vasco Ortigão Sampaio. A sua obra revela uma predileção pelos temas de ar livre ou paisagem, registos que frequentemente colhia em longos passeios de bicicleta com a sua irmã. São frequentes também as cenas de interior e por várias vezes fez exercícios de autorretrato. Aquele que melhor espelha a sua personalidade enérgica, por vezes exuberante, é certamente aquele em que se retrata com um belo chapéu com um laço e penas. Maria de Aires Silveira e Isabel Andrade Silva contam-nos as histórias por detrás deste retrato a pastel, que mais que revelar características fisionómicas revela traços de caráter, gostos, vontades e sonhos.

Lotação: 60 lugares

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Maquete da zona ocidental do Porto / Caminhos do Romântico

14 set.

Casa Tait MAPA

convidados:

Hugo Barreira /
Graça Nieto

técnico:

Teresa Sá

descrição:

O Centro de Interpretação dos Caminhos do Romântico, instalado na Casa Tait, tem como missão dar a conhecer e servir de arranque para os três percursos que integram os Caminhos do Romântico – Porto do Romantismo; Arqueologia Rural e Industrial e A Fábrica de Massarelos e o Prestígio da Burguesia. Em cada um destes percursos pedonais é sintetizada a essência de uma das épocas mais interessantes da história da cidade, permitindo aprender e descobrir um pouco mais o que era o Porto de Oitocentos: o Porto romântico e burguês, rural e industrial. Através da Maqueta da Zona Ocidental do Porto, concebida especificamente para o Centro de Interpretação dos Caminhos do Romântico, um historiador de arte e a arquiteta que coordenou o projeto dos Caminhos do Romântico falam-nos deste Porto cheio de contrastes.

Lotação: 100 lugares

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Sobreporta em estuque

21 set.

Banco de Materiais MAPA

convidados:

Paulo Ludgero Castro / Eduarda Vieira

técnico:

Maria Augusta Martins

descrição:

O estuque, arte milenar enquadrada no ramo da escultura decorativa, revela-se no Porto como uma das forças mais notáveis e elegantes da ornamentação interior dos edifícios. A partir de um elemento em gesso estuque da afamada oficina Ramos Meira, peça do espólio municipal do Banco de Materiais, propomos uma conversa que vem revelar os mais variados segredos das técnicas e da estética desta “nova aventura artística”, como lhe chamou Flórido de Vasconcelos. Como se define esta arte? Quem eram os artistas e artífices que a trabalhavam e como a riqueza dos detalhes de várias composições esbateu a barreira entre arte e ofício? São estas e outras questões que vamos ver desvendadas pelos especialistas Eduarda Vieira e Paulo Ludgero Castro, numa sessão moderada pela dinamizadora do Banco de Materiais.

Lotação: 70 lugares

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Farmácia Portátil

28 set.

Museu da Farmácia MAPA

convidados:

Carlos Afonso / António Couto dos Santos

técnico:

João Neto

descrição:

Construída na oficina de Heinrich Gambs, esta farmácia portátil é um dos mais requintados exemplares do mobiliário russo do século XIX. Natural da Alemanha, Heinrich Gambs foi trabalhar para a corte russa em 1789, abrindo uma oficina de móveis em São Petersburgo, que rapidamente se tornou das mais prestigiadas casas de mobiliário. Entre os seus distintos clientes esteve a futura imperatriz Maria Feodorovna, esposa do imperador da Rússia Paulo I. Gambs fabricou móveis para os palácios de Pavlovsk, Czarskoe Selo ou o Palácio de Inverno de São Petersburgo. Ricamente ornamentado com embutidos e incrustações em madrepérola, este pequeno armário contém no seu interior vários compartimentos onde se encaixam vasos de cerâmica e madeira decorados com as Armas Imperiais da Rússia. Cada vaso é identificado com uma numeração à qual devia corresponder uma substância medicinal. Num ano dedicado a assinalar os 240 anos de relações diplomáticas entre Portugal e a Rússia, um investigador em ciências farmacêuticas e o Cônsul Honorário da Rússia no Porto ajudam-nos a saber mais sobre a história e cultura russas através deste curioso objeto.

Lotação: 250 lugares

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Processo de Camilo Castelo Branco

12 out.

Museu Judiciário do Tribunal da Relação MAPA

convidados:

Manuel Morais Sarmento Pizarro / Carlos Querido

técnico:

Nuno Ataíde das Neves

descrição:

“Resposta do júri aos quesitos: O crime de que o réu Camilo Castelo Branco é acusado no Libelo do Ministério Público e da parte acusadora, de ter cometido adultério com a co-ré D. Ana Augusta Plácido, casada com Manuel Pinheiro Alves, está ou não provado? Não está provado, por maioria. A circunstância atenuante do seu bom comportamento anterior, está ou não provado? Está provado por maioria. Sentença: Em vista da decisão do júri, julgo não provado o crime de adultério de que era acusado Camilo Castelo Branco o absolvo da culpa, dando-se baixa nele, e passando o seu mandado de soltura, e pague o A. as custas do processo. Porto, 16 de outubro de 1861”. Assim termina o atribulado processo judicial por “cópula com mulher casada”, um dos mais conhecidos – mas talvez mal conhecidos – episódios da vida de Camilo Castelo Branco (1825-1890), romancista maior, mas também poeta, cronista, crítico, dramaturgo e tradutor. Os termos processuais que o levaram à Cadeia da Relação (onde esteve preso um ano e 16 dias e Ana Plácido um pouco mais) são o tema do debate entre o escritor Carlos Querido e um historiador de arte familiar de Camilo, Manuel Morais Sarmento Pizarro, na semana em que se assinalam 158 anos desta absolvição, no Museu Judiciário que tem no seu espólio este processo.

Lotação: 100 lugares

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Apólice do Real Erário - 2400 Reis, de 1797

19 out.

Museu do Papel Moeda MAPA

convidados:

Alberto Correia de Almeida / Sónia Santos

técnico:

Maria Amélia Cupertino de Miranda

descrição:

Na sequência da Campanha do Rossilhão (1793-1795), as já muito debilitadas finanças públicas chegam a um estado crítico, abeirando-se o país da bancarrota. Atendendo às dificuldades financeiras, com risco de incumprimento dos compromissos do Estado, é decretado a 29 de outubro de 1796 um Empréstimo Público, no valor total de 10 milhões de cruzados. Por Alvará de 13 de março de 1797, o valor desse “1.º Empréstimo” é alargado para 13 milhões de cruzados. Em Alvará Régio de 13 de julho de 1797, é autorizada a emissão das designadas “Apólices Pequenas” pelo Real Erário, no valor de três milhões de cruzados, como parte do Empréstimo Público decretado já em 1796. É nesta conjuntura que se insere o objeto desta sessão, a única apólice conhecida de 2400 Reis, de 1797. A propósito deste documento extraordinário, Sónia Santos e Alberto Correia de Almeida debatem sobre as razões da sua raridade e o seu contexto no âmbito das diversas variantes de apólices, vulgarmente referidas como sendo a primeira forma de papel-moeda em Portugal, em sessão moderada por Maria Amélia Cupertino de Miranda.

Lotação: 210 lugares

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Barco Rabelo

26 out.

Reservatório da Pasteleira MAPA

convidados:

Amândio Barros / Catarina Fortuna

técnico:

Nuno Faria

descrição:

Oferecido à Câmara Municipal do Porto em 1971, pela empresa Sousa Cruz & Cª Lda, este será o último rabelo fabricado em moldes tradicionais e utilizado no transporte fluvial que ainda podemos admirar, o último rabelo que deslizou silencioso pelas águas do Douro quando o rio era a estrada que ligava o Alto Douro ao Porto. Nos anos 1990 foi seccionado em cinco partes, numa operação orientada pelo arquiteto Lixa Filgueiras, especialista em embarcações tradicionais, dada a dificuldade de transporte do barco com 17,5m de comprimento. Desde então o rabelo aguardava um novo destino, uma nova missão, repousado nos jardins da Casa Tait. Agora, os seus espólios ajudam a contar a história da cidade, no recém-inaugurado Reservatório da Pasteleira. Assim, no dia em que se assinala o aniversário da primeira viagem turística no Douro, vamos descobrir mais sobre este objeto e o seu lugar na história do Porto, contada através do olhar de uma das arquitetas envolvidas no projeto do Reservatório e de um historiador dedicado aos temas do Douro.

Lotação: 40 lugares

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Herbário de Júlio Dinis

02 nov.

Museu da Escola Rodrigues de Freitas MAPA

convidados:

Beatriz Marques da Costa / João Paulo de Sousa Cabral

técnico:

Maria José Ascensão

descrição:

Joaquim Guilherme Gomes Coelho era o verdadeiro nome do médico e escritor natural do Porto, que no período mais brilhante da sua carreira literária usou o pseudónimo de Júlio Dinis, nome que o imortalizaria nos vários romances publicados. Na altura em que termina o curso na Escola Médico-Cirúrgica, em 1861, sofria já de problemas de saúde recorrentes, nomeadamente a tuberculose, pesada herança que já havia vitimado a sua mãe e todos os seus oito irmãos. Impedido de praticar ativamente a profissão de médico, dedicou-se mais intensamente à literatura, que a partir de então denuncia a influência dos ambientes rurais para onde se retira por conselho médico, na expectativa de curar do mal que o enfermava. Foi ainda esperançado numa cura de ares que por duas vezes esteve na ilha da Madeira. Aqui, e para além de continuar a sua atividade de escritor, dedicou-se a recolher e colecionar espécies vegetais autóctones, com as quais compôs um herbário, hoje na posse do museu da Escola Rodrigues de Freitas. Mas porque terá ficado este herbário na escola? Qual a sua relação com um outro herbário pertencente a este museu? Nesta sessão dedicada a um interesse pouco conhecido de Júlio Dinis, contamos com a participação da professora responsável pelo museu e de um especialista em história da botânica para nos responder a esta e outras questões.

Lotação: 80 lugares

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Peça Anatómica

09 nov.

Museu de Anatomia Prof. Nuno Grande (ICBAS) MAPA

convidados:

Ivone Silva / Mário Bismarck

técnico:

Artur Águas

descrição:

Através da generosa doação em vida do seu cadáver, os cidadãos têm contribuído de modo decisivo para a qualidade do ensino e da investigação em medicina. A peça anatómica protagonista desta sessão é resultado da preparação de um cadáver com vista a pôr em evidência a organização das artérias da metade superior do corpo humano, tendo como referência a estrutura óssea do tronco, cabeça e pescoço. Foi obtida através da injeção vascular do cadáver com resinas líquidas, sendo depois dissolvidos os componentes moles do cadáver. Revela-se assim a complexa arquitetura vascular do corpo humano, em particular das artérias carótidas e dos seus ramos. Para além da função pedagógica, há uma clara qualidade estética nestas peças de moldagem vascular que tem sido explorada por estudantes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto em exercícios de desenho e pintura. Um anatomista, uma cirurgiã vascular e um professor de belas artes falam-nos desta relação entre ciência e arte.

Lotação: 150 lugares

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Conjunto de frascos com reagentes e pigmentos

16 nov.

Museu do Instituto Superior de Engenharia do Porto MAPA

convidados:

Cristina Delerue Matos / Simone Morais

técnico:

Patrícia Costa

descrição:

Desde as mais remotas civilizações que o tingimento de tecidos era equiparado a uma arte, na qual o tintureiro, como o pintor, fazia uso dos recursos corantes naturais para produzir as tonalidades que estes permitiam. Na transição do século XIX para a centúria seguinte, os avanços tecnológicos que estabelecem as bases da química moderna têm a sua influência também nesta área, ao permitir a descoberta e produção de inúmeras matérias corantes e as suas variações através de diferentes reagentes. É a partir de então que os processos de tinturaria se convertem de arte em ciência, verdadeira alquimia que permite ao tintureiro obter os tons impostos pelos caprichos da moda. Uma coleção de diversos frascos de materiais tintureiros, com corantes, pigmentos e reagentes para utilização em laboratório químico, foi comprada em meados do século XIX pelo então Instituto Industrial do Porto. Em carta datada de 1890 dirigida ao diretor da escola, o lente de chimica e physica, Agostinho da Silva Vieira, refere que a coleção foi comprada em Paris, por via da empresa Ben. Barral. As investigadoras Cristina Delerue Matos e Simone Morais levam-nos nesta experiência, para conhecer mais sobre este curioso conjunto.

Lotação: 40 lugares

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Máscara Egípcia

23 nov.

Museu de História Natural e da Ciência da UP MAPA

convidados:

Susana Bailarim / Tiago Guedes

técnico:

Nuno Ferrand de Almeida

descrição:

Uma das dimensões com maior importância na sociedade do Antigo Egipto era a preparação para a outra vida. O túmulo destinava-se à proteção do corpo mumificado e dos diversos elementos que o acompanhavam. A preservação da múmia no seu sarcófago era condição essencial para a vida eterna e a máscara funerária era peça fundamental do aparato fúnebre, já que cobria a face do corpo mumificado, protegendo e garantindo a sua identidade. Nesta belíssima máscara feminina – que num curioso processo de troca de coleções entre o Governo português e alemão acabou por ficar na posse do MHNC-UP – encontramos um rosto dourado, “emoldurado” por uma cabeleira tripartida, sobre a qual figuram algumas divindades egípcias. Na véspera do dia mundial da ciência, o Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto recebe o debate sobre um tema que continua a exercer enorme fascínio em todos nós. Uma arqueóloga especialista em temas do Antigo Egipto leva-nos ao tempo das pirâmides e dos faraós, enquanto o coreógrafo e diretor do Teatro Municipal do Porto nos mostra uma “certa visão de Egipto” e da máscara nas artes cénicas.

Lotação: 70 lugares

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Cenário para a representação da peça "O Ego da Cómoda" uma farsa para três personagens
© Foto: Filipe Braga, Fundação de Serralves, Porto

30 nov.

Museu de Serralves MAPA

convidados:

Pedro Barateiro / Ana Jotta

técnico:

Ricardo Nicolau

descrição:

A Fábrica Rio Vizela, uma das maiores fábricas têxteis da Europa no início do século XX, foi a fonte de financiamento que permitiu ao seu proprietário, o Conde de Vizela, encomendar e construir a Casa de Serralves, entre o início dos anos 1930 e os primeiros anos da década seguinte. Em 2009, para a sua primeira exposição individual em Serralves, “Teoria da Fala”, o artista Pedro Barateiro (Almada, 1979) decidiu investigar as relações entre a “casa cor-de-rosa”, os seus requintes arquitetónicos e decorativos, e as histórias absolutamente interrelacionadas da art déco, do capitalismo e do colonialismo. A conversa sobre uma das obras criadas especificamente para aquela mostra, e que integra a coleção de Serralves – Cenário para a representação da peça “O Ego da Cómoda – uma farsa para três personagens – permitirá uma fascinante viagem pela história do século passado e, em ano de celebração dos 30 anos da Fundação, dos 20 anos do Museu e dos 10 anos daquela exposição, pela própria história da instituição. A conversa moderada por Ricardo Nicolau (curador e adjunto do diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves) terá como participantes dois artistas, o próprio Pedro Barateiro e Ana Jotta.

Lotação: 60 lugares

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Mapa da Rede Geral dos Serviços de Transportes Colectivos do Porto, de 1960

07 dez.

Museu do Carro Elétrico MAPA

convidados:

Manuela Ribeiro / Cristina Pimentel

descrição:

Em meados do século passado, a cidade do Porto conhece uma verdadeira revolução a nível dos transportes públicos. Com a introdução das camionetas no sistema de transporte de passageiros, que já operavam na cidade desde a década de 1930, os carros elétricos foram perdendo terreno. Em 1946, a Companhia de Carris de Ferro do Porto dá lugar ao STCP (Serviço de Transportes Coletivos do Porto), liderado pela Câmara Municipal que assim tomava o controlo dos transportes públicos da cidade. Dois anos depois começavam a chegar os autocarros que viriam a compor a frota dos STCP e, com eles, eram inauguradas novas carreiras. Cerca de duas décadas mais tarde, os STCP introduzem na sua frota os troleicarros. Mais rápidos que as camionetas, os novos veículos vieram permitir que a rede de serviços, inicialmente confinada às deslocações no Porto e Vila Nova de Gaia, ganhasse uma nova extensão, expandindo-se aos concelhos de Gondomar e Valongo. É esse momento da história dos transportes coletivos do Porto que nos conta o objeto de hoje, um mapa da rede geral dos STCP, executado na década de 1960 nos gabinetes de apoio e Oficinas Gerais dos antigos STCP. A vereadora do Pelouro dos Transportes e a diretora do museu falam-nos da história daquele que é, ainda hoje um dos meios de transporte mais utilizado para satisfazer as necessidades das populações da área metropolitana do Porto.

Lotação: 30 lugares

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Árvore de Jessé

14 dez.

Museu da Igreja de São Francisco MAPA

convidados:

Abel Canavarro / Nuno Resende Mendes

técnico:

Gonçalo Vasconcelos e Sousa

descrição:

A Árvore de Jessé é uma representação iconográfica da genealogia humana de Cristo, baseada numa profecia de Isaías. Na sua forma de representação mais comum, Jessé, pai do rei David, surge reclinado ou adormecido e do seu ventre nasce uma árvore, em cujos ramos se representam os antepassados de Jesus Cristo, como forma de ressaltar a sua natureza humana. Por outro lado, representa-se também a genealogia espiritual através das previsões dos profetas, antecessores espirituais de Cristo. Assim, a Árvore de Jessé representa a passagem da geração carnal de Jessé à geração espiritual, com a Virgem e o Menino, que se representam no topo da árvore. Amplamente representada ao longo das épocas, esta temática tem na igreja-museu da Ordem de São Francisco um dos seus exemplares mais exuberantes. Em pleno Advento, o provedor da Ordem de São Francisco recebe-nos na igreja-museu para falar deste magnifico retábulo, na companhia do teólogo Abel Canavarro e do historiador de arte Nuno Resende Mendes.

Lotação: 200 lugares