um objeto
e seus
discursos
por
semana

O desafio que lançámos à cidade de se revelar através de conversas semanais em torno do seu património material e imaterial deu origem a um dos nossos projetos mais ambiciosos. Com mais de 100 convidados todos os anos, e a um ritmo semanal, os ciclos a que intitulámos Um Objeto e seus Discursos por Semana inscrevem-se hoje de forma particularmente viva na rotina cultural da cidade do Porto.

Na sua simplicidade concetual e frugalidade organizativa, esta iniciativa conseguiu transformar-se num veículo peculiar de reativação patrimonial, de descoberta do território urbano e de ligação à nossa identidade cultural, passada e presente.

Ao longo das várias edições, complementamos o sistemático puzzle de histórias que foi sendo montado desde o início, em 2014, através do património municipal, de grandes instituições da cidade, de objetos de natureza diversa que estão no domínio privado, mais ou menos inacessível.

Falamos de património, e portanto de valor absoluto, com importância cultural, histórica, arquitetónica, paisagística, arqueológica, industrial, científica, gastronómica, até mitológica e do imaginário coletivo local.

É desta forma que entramos em museus, bibliotecas e praias, mas também em associações, restaurantes e barcos, cemitérios, laboratórios ou jardins e hospitais. Debatemos objetos museológicos e simultaneamente ideias, valores e sabores; cruzamos convidados dos quadrantes sociais e dos saberes mais diversos – da engenharia à pesca, passando pelas artes, pela saúde ou pela fé.

Um Objeto e seus Discursos por Semana é conhecimento, inclusão e circulação. É uma experiência de cidade. De toda uma cidade que se projeta no futuro através do amor que nutre pela sua história.

Rui Moreira
Presidente da Câmara
Municipal do Porto

bilhetes

Todas as sessões são gratuitas com entrada limitada à lotação dos espaços. Garanta semanalmente o seu lugar levantando bilhete (máximo dois por pessoa) nos locais habituais (Rivoli, Teatro Campo Alegre e Museus Municipais).

Se pretender reservar lugar na totalidade das sessões poderá adquirir um bilhete geral por 10 euros e levantar semanalmente o respetivo ingresso até 48 horas antes da sessão, nos mesmos locais ou em www.bilheteiraonline.pt

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1-Cinema Batalha (4 Mar)
Praça da Batalha, 47
2-Seminário Maior / biblioteca
(11 Mar)

Largo do Dr. Pedro Vitorino, 2
3-Museu da Farmácia (18 Mar)
Rua Eng. Ferreira Dias, 728
4-Casa-Museu Guerra Junqueiro (25 Mar)
Rua de D. Hugo, 32
5-Grande Hotel de Paris (1 Abr)
Rua da Fábrica, 27
6-Museu do Centro Hospitalar do Porto (Hospital de St. António)
(8 Abr)

Largo Prof. Abel Salazar
7-Colégio Alemão do Porto
(22 Abr)

Rua Guerra Junqueiro, 162
8-Jardim Botânico (29 Abr)
Rua do Campo Alegre, 1191
9-Museu da Liga dos Combatentes (6 Mai)
Rua da Alegria, 39
10-Palacete Araújo Porto (13 Mai)
Largo da Paz, 79
11-Museu dos Transportes e Comunicações (20 Mai)
Rua Nova da Alfândega

12-Quinta de Vilar d'Allen (27 Mai)
Rua do Freixo, 194
13-Muro dos bacalhoeiros,
casa onde nasceu José Luís Gomes de Sá (3 Jun)

Cais da Estiva, 114
14-Farol de São Miguel-o-Anjo
(17 Jun)

Rua do Passeio Alegre, 494
15-Casa do Infante (1 Jul)
Rua da Alfândega, 10
16-
Jardins de São Lázaro (8 Jul)
Passeio de São Lázaro
17-Águas do Porto (15 Jul)
Rua Barão Nova Sintra, 285
18-Biblioteca Municipal Almeida Garrett (2 Set)
Rua de D. Manuel II
19-Biblioteca Municipal Almeida Garrett (9 Set)
Rua de D. Manuel II
20-Museu Romântico (16 Set)
Rua de Entre-Quintas, 220
21-Praceta da Rua Chã (23 Set)
Rua Chã
22-Alfaiataria Atelier des Créateurs (30 Set)
Rua de José Falcão, 95

23-Árvore - Cooperativa de Actividades Artísticas (2 Out)
Rua Azevedo de Albuquerque, 1
24-Hospital de Conde Ferreira
(14 Out)

Rua de Costa Cabral, 1121
25-Quartel Bombeiros Sapadores (21 Out)
Rua da Constituição, 1418
26-Palacete dos Viscondes de Balsemão (28 Out)
Praça de Carlos Alberto, 71
27-Cemitério dos Ingleses (4 Nov)
Largo da Maternidade de Júlio Dinis, 23
28-Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (11 Nov)
Rua Dr. Roberto Frias, s/n
29-Sinagoga Kadoorie Mekor Haim (18 Nov)
Rua de Guerra Junqueiro, 340
30-Museu Militar (25 Nov)
Rua do Heroísmo, 329
31-Igreja dos Grilos (2 Dez)
Largo do Colégio

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Cinema Batalha

04 mar.

Cinema Batalha

convidados:

Alexandre Alves Costa
Sara Antónia Matos

técnico:

Rui Moreira

descrição:

Obra icónica de um tempo, e de várias gerações de públicos do cinema, este edifício assinado por Artur Andrade destaca-se pelo significado político e pela sua expressão artística de cariz modernista. Em plena Praça da Batalha, no momento em que se anuncia a sua reabertura ao público após décadas sem fitas, o presidente da Câmara convida o arquiteto Alexandre Alves Costa a percorrer os outrora cheios corredores do Batalha (Monumento de Interesse Público desde 2011) e chama à conversa Sara Antónia Matos, diretora do Atelier-Museu de Júlio Pomar, artista convidado a refazer os marcantes frescos no interior do cinema que a PIDE mandou destruir em 1948. Uma primeira sessão que promete ser, a todos os títulos, memorável.

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Constituições Sinodais do Bispado do Porto

11 mar.

Seminário Maior / Biblioteca

convidados:

Luís Carlos Amaral
Maria de Lurdes Correia Fernandes

técnico:

D. António Francisco dos Santos

descrição:

Saídas do prelo da oficina de Rodrigo Álvares, há 520 anos, em 1497, o volume com as Constituições do Bispo D. Diogo de Sousa foi o primeiro livro impresso no Porto. Trata as orientações sinodais difundidas pelo Bispo aos prelados da sua Diocese. Destaque-se, no volume, o brasão esquartelado de D. Diogo de Sousa (Bispo do Porto de 1496 a 1505 e, depois, Arcebispo de Braga, até à sua morte em 1532). Cabe ao atual Bispo do Porto moderar esta sessão, a decorrer na Biblioteca do Seminário, com presença de uma especialista em história das práticas religiosas e um historiador sobre Igreja portuguesa na Idade Média.



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Farmácia Islâmica

18 mar.

Museu da Farmácia

convidados:

Abdul Rehman
José Manuel Sousa Lobo

técnico:

João Neto

descrição:

Oriunda de um Palácio de Damasco no século XIX, a Farmácia Islâmica é uma sala ricamente decorada que se encontra nas atuais instalações do Museu da Farmácia. Neste espaço assegurava-se o fornecimento de medicação aos habitantes do palácio e populações limítrofes, mas também um espaço pedagógico para jovens. Desde o século IX, Damasco é um marco do desenvolvimento do conhecimento farmacêutico e da assistência médica. Sugerimos percorrer os segredos da farmacêutica Otomana, num ambiente que evoca antigos boticários e o ensino da saúde através do olhar do líder da comunidade islâmica na cidade do Porto e de um especialista em ciências da farmacologia, num debate moderado por um historiador da saúde e diretor do Museu.

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Guião autografado d’O Gebo e a Sombra de Manoel de Oliveira

25 mar.

Casa-Museu Guerra Junqueiro

convidados:

António Preto
Maria João Reynaud

técnico:

Vasco Rosa

descrição:

Assinalam-se 150 anos, em março de 2017, sobre o nascimento de Raul Brandão, enorme figura das letras e do teatro do Porto. No dia em que a Câmara Municipal inaugura uma exposição de homenagem ao escritor (em dois pólos – na Biblioteca Pública e na Casa-Museu Guerra Junqueiro) que mostra elementos da sua vida e obra literária e pictórica, assista-se ao encontro de uma especialista na obra de Brandão com um ensaísta e programador de cinema, em torno de um objeto incomum: um guião de cinema. Baseado na peça homónima (de 1923), O Gebo e a Sombra de Manoel de Oliveira é uma coprodução luso-francesa estreada em 2012 e protagonizada por um elenco ímpar de grandes atores. Este guião está assinado por uma das maiores estrelas do cinema europeu: venha descobrir quem.

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O crucifixo de Marinetti

01 abr.

Grande Hotel de Paris

convidados:

António Maria Pinheiro Torres
Manuela Veloso

técnico:

António Moura

descrição:

Marinetti, poeta, ideólogo e ativista político italiano, fundou o movimento futurista, cujo manifesto publicado no Le Fígaro em 1909 influenciou de forma determinante o movimento modernista português. Na sua passagem por Portugal em 1932, Marinetti foi, curiosamente, recebido por alguns dos mais categorizados inimigos do futurismo – Júlio Dantas e António Ferro. O que poucos conhecem é que Marinetti visita também o Porto, onde tem um escaldante encontro com Maria do Pilar, filha de um abastado comerciante de carvão, com quem se correspondia secretamente desde 1930. Os amantes hospedam-se por uma noite no Grande Hotel de Paris, onde Marinetti se regista sob o nome de Fillipo Tommaso de Mattos. Na pressa e embaraço da despedida, Maria do Pilar esquece no hotel uma estranha figura de um Cristo com uma caveira, com toda a certeza oferecido pelo artista. Para nos falarem desta peça convidámos um antiquário e uma grande especialista em vanguardas europeias.

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Caricatura de Ricardo Jorge,
“a peste do Porto”

08 abr.

Museu do Centro Hospitalar do Porto (Hospital de St. António)

convidados:

David Pontes
Pedro Oliveira

técnico:

Rui Sarmento

descrição:

A epidemia de peste bubónica que assola o Porto em 1899, causando 132 mortes, revela a ação decisiva de Ricardo Jorge, figura maior da medicina social em Portugal. Todavia, as operações profiláticas que orientou no sentido de eliminar a peste – a evacuação, o isolamento e desinfeção de domicílios – desencadearam a fúria popular, obrigando à sua transferência para Lisboa. Lá, será nomeado Inspetor-Geral de Saúde com significativas influência política e prestígio internacional. O objeto desta semana, uma caricatura (datada de 13.10.1888) publicada no jornal O Charivari, é revelador da controvérsia em torno desta personalidade. Um jornalista, autor de uma profunda tese de mestrado sobre a peste bubónica no Porto e dois médicos, com responsabilidades na saúde pública, dão-nos o seu testemunho sobre o tema.


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Observatório do Colégio Alemão

22 abr.

Colégio Alemão do Porto

convidados:

Alexander Ayas
Winfred Benkert

técnico:

Mónica Reis

descrição:

O novo edifício do Colégio Alemão do Porto, finalizado em 1959, adquiriu uma nota arquitetónica especial através da instalação de um observatório em forma de cúpula com 4m de raio. Um professor de física e uma aluna do colégio darão a conhecer o observatório que foi equipado com um telescópio de espelhos do tipo Newton e uma câmara fotográfica astral, oferecidos pelo Dr. Heinz Adler. Será um momento para descobrirmos a presença da comunidade e cultura alemãs no Porto através do olhar de alguns dos seus membros mais ativos.










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Esqueleto de baleia

29 abr.

Jardim Botânico
Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva

convidados:

Francisco Luís Parreira
Jorge Palmeirim

técnico:

Nuno Ferrand de Almeida

descrição:

É no interior da Casa Andresen, no Jardim Botânico, o primeiro polo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto a abrir ao público, que encontramos o esqueleto de uma baleia que deu à costa na Praia do Paraíso há 80 anos. Cedido ao Instituto de Zoologia Augusto Nobre pelo comerciante que o arrematou em leilão, o esqueleto foi objeto de um longo processo de tratamento para, 2016, passar a habitar o átrio central da Casa Andresen, como preconizado pelo marinheiro Hans, personagem do conto Saga, de Sophia, que lamentava estar o esqueleto da baleia há anos empacotado nas caves “por não haver lugar onde coubesse armado”. Neste novo espaço cultural, em que a história natural convive com as artes e a literatura, vêm conversar um biólogo membro da International Whaling Commission e um dramaturgo com uma inclinação por temas literários envolvendo cetáceos.

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Busto do Soldado “Milhões”

06 mai.

Museu da Liga dos Combatentes

convidados:

José Henriques
Laureano “Ribatua”

técnico:

General Chito Rodrigues

descrição:

Era agricultor de Murça, chamava-se Aníbal Milhais, mas ficou na memória popular como Soldado Milhões. Em 1917 partiu para a frente de combate da I Guerra Mundial. Na batalha de La Lys a 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português foi desbaratada, sacrificando-se nela muitas vidas, entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros de guerra. Venha descobrir quem era este soldado, como chegou a ser batizado com o nome que chegou até nós e os feitos que conduziram à sua condecoração em pleno campo de batalha. Eternizado pelo escultor Laureano Ribatua, a história de Aníbal Augusto Milhais guia-nos, com especialistas em história militar, nesta viagem ao mundo dos heróis da Grande Guerra.

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Retábulo da capela

13 mai.

Palacete Araújo Porto

convidados:

Eulália Subtil
Maximina Girão

técnico:

António Tavares

descrição:

A recente mudança de instalações dos Serviços Partilhados e Corporativos da Misericórdia do Porto (antes situados na Rua das Flores) para o novo Centro constitui, para muitos, a primeira oportunidade para saciar a curiosidade sobre o interior do Palacete Araújo Porto – anteriormente uma instituição dedicada ao cuidado dos surdos-mudos. O retábulo novecentista da sua capela, de inspiração neoclássica mas com elementos de outros estilos, sugere um trabalho executado em etapas com diferentes madeiras e douramentos, provavelmente uma reunião de talha de proveniências distintas. Uma especialista em talha dourada apoiará esta análise e uma historiadora narrará os usos da casa.

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Viola para contrabando

20 mai.

Museu dos Transportes e Comunicações

convidados:

Bráulio Guerrilhas Pires
Luís Cunha

técnico:

Suzana Faro

descrição:

Apesar da complexidade e exigência da sua estrutura, a Alfândega não conseguiu, ao longo do tempo, evitar situações de contrabando. Em particular, uma curiosa viola, propriedade da Autoridade Tributária e Aduaneira, testemunho engenhoso e criativo dessa atividade paralela. Alia à configuração do instrumento musical (forma e dimensão) a estrutura metálica da caixa, as cordas artificiais e um orifício dissimulado na base, por onde se vertia o azeite contrabandeado durante o período da II Guerra Mundial. Cabe a um dirigente dos serviços antifraude da área aduaneira e a um antropólogo, investigador da temática envolvente à fronteira luso-espanhola e ao contrabando, evocarem a memória sobre esta prática e os seus subterfúgios.

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“Pinheiro-guarda-sol-japonês”

27 mai.

Quinta de Vilar d'Allen

convidados:

Isabel Lufinha
Paulo Marques

técnico:

José Alberto Allen

descrição:

Sciadopitys verticillata, mais conhecida como pinheiro-guarda-sol-japonês, é uma espécie arbórea muito rara, originária do Japão. Considerada um fóssil vivo, esta planta conífera, de folha perene, pode chegar a atingir os 27 metros de altura. Ao proprietário da espécie, e anfitrião desta Quinta – um dos mais secretos e luxuriantes espaços verdes da cidade – junta-se um arquiteto paisagista e uma engenheira florestal que nos convidam a ficar a saber tudo o que têm para contar as resistentes árvores do mundo pré-histórico.









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Bacalhau à Gomes de Sá

03 jun.

Muro dos bacalhoeiros, casa onde nasceu José Luís Gomes de Sá

convidados:

Hélio Loureiro
Júlio Couto

técnico:

Graça Lacerda

descrição:

Prato originário e típico da cidade do Porto, recebe o nome do seu criador José Luís Gomes de Sá Júnior, comerciante de bacalhau, com o seu negócio sediado na Ribeira. É um prato muito apreciado em todo o território português e também no Brasil. Por essa razão, o Cônsul do Brasil no Porto mandou colocar uma placa na parede da casa onde nasceu Gomes de Sá, à Rua dos Bacalhoeiros. Para saber a receita, os seus segredos e truques, tem de participar da conversa onde se revelará como devem ser amaciadas, e acompanhadas, as pequenas lascas do fiel amigo. Bom apetite, na companhia de três ilustres convidados e apreciadores do prato: quem narra a sua história, quem o confeciona e quem o degusta.

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Foral do Porto de D. Manuel

01 jul.

Casa do Infante

convidados:

Eduardo Aires
Paula Pinto Costa

técnico:

Helena Gil Braga

descrição:

Em 20 de junho de 2017 completam-se cinco séculos sobre a concessão do Foral ao Porto por D. Manuel. Este códice manuscrito, documento basilar para o governo da cidade e do seu termo durante séculos, é uma obra magnífica da chancelaria régia quer pela letra usada, o gótico librário, quer pela iluminura da portada em que se destacam as armas reais, a esfera armilar e a cruz de Cristo e o brasão do Porto. Possui um valor patrimonial e simbólico para a cidade do Porto como testemunho da sua importância regional multissecular. A comissária da exposição patente na Casa do Infante e o designer da marca “Porto.” analisam este foral, um dos documentos mais completos do seu género e no seu tempo.






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O dragão da Fonte de S. Domingos

15 jul.

Águas do Porto

convidados:

Joel Cleto
Mário Mesquita

técnico:

Frederico Fernandes

descrição:

A partir do antigo brasão da cidade, elemento restante da desmontada Fonte de S. Domingos, propõe-se a análise de um dos símbolos da Invicta – o dragão. Elemento decorativo patente em diversos locais da cidade representa a nobreza, reconhecida por D. Maria II e D. Pedro IV aos cidadãos do Porto, pelo seu papel na defesa da sua causa e em particular no auxílio prestado durante o Cerco de 1832-1833. Um historiador, ligado ao Museu do Futebol Clube do Porto, e um arquiteto analisam os diferentes aspetos apaixonantes que este objeto apresenta, num jardim que merece a pena redescobrir.

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Coreto do Jardim de São Lázaro

08 jul.

Jardins de São Lázaro

convidados:

José Guilherme Abreu
Teresa Marques

técnico:

José Manuel Carvalho

descrição:

Numa carta de amor datada de 1981, o poeta Jorge Sousa Braga escrevia a Eugénio de Andrade: “um dia destes/ vou-te matar/ Uma manhã qualquer em que estejas (como de costume)/ a medir o tesão das flores/ ali no Jardim de S. Lázaro”. Foi também neste jardim que Camilo Castelo Branco recebeu das mãos de D. Pedro II a comenda da Ordem da Rosa. Inaugurado em 1834, o jardim, fresco e frondoso, é de conceção romântica, podendo destacar-se as imponentes tílias, os grupos escultóricos e o pequeno coreto, que hoje constitui o objeto desta sessão, para a qual são convocados especialistas em história do património e em arquitetura paisagista. Ponto de encontro de estudantes, de reformados e não só, S. Lázaro é o primeiro jardim público da cidade e o único ainda envolvido por um gradeamento com quatro portões.

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Marégrafo

17 jun.

Farol de São
Miguel-o-Anjo

convidados:

Brogueira Dias
Manuel Real

técnico:

Rodrigues Campos

descrição:

As marés, essa inquietação astral e previsível dos oceanos, marcaram o ritmo de entrada dos barcos na barra do Douro ao longo de séculos. Os navios entravam num trajeto arriscado, manobrado pelos experientes pilotos, orientados pelo facho que encimava a capela-farol de S. Miguel-o-Anjo, e pelas balizas do rio e das margens. Testemunha de tantos perigos, o marégrafo da Cantareira regista, desde finais do século XIX, o nível médio das águas da barra através de uma boia que flutua num poço, ligada a um sistema de registo. O pontal da Cantareira, que prolongou o rochedo em que assenta a capela da renascença, ficou conhecido pelo cais do marégrafo, instalado na casinha que se ergue no extremo da plataforma, junto ao Anemógrafo, o medidor de ventos, e não longe do salva-vidas e do farolim em ferro. Um historiador e homens do mar recordam aventuras e desventuras do Douro.

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Placa de homenagem a Sophia

02 set.

Biblioteca Municipal Almeida Garrett

convidados:

Ana Luísa Amaral
Frederico Lourenço

técnico:

Miguel Sousa Tavares

descrição:

A Avenida das Tílias, já transformada na Alameda dos Escritores, recebe simbolicamente em 2017, no âmbito da Feira do Livro do Porto, outro grande vulto da literatura portuguesa: a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen, autora de catorze livros de poesia, contos, histórias para crianças, artigos, ensaios, teatro e fulgentes traduções. O Porto, a cidade que sempre a inspirou e onde passou a sua infância, homenageia assim a sua mais premiada e ilustre poeta, uma voz “anónima e livre”, “vestida de sol e silêncio”, com a presença de três convidados particularmente próximos da sua vida e obra.



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Cachimbo de António Nobre

09 set.

Biblioteca Municipal Almeida Garrett

convidados:

António Ramalho de Almeida
Paula Morão

técnico:

Maria João Sampaio

descrição:

Fumador e colecionador de cachimbos, o poeta António Nobre, autor “do mais triste livro” que nesta pátria alguém escreveu, elege o cachimbo como interlocutor na solidão das noites de Anto. É um dos seus objetos de culto, que nunca deixa de estar a seu lado, mesmo na doença e na morte. E roga: “Coloca, sob a travesseira,/ O meu cachimbo singular/ E enche-o, solícita enfermeira,/ Com Gold-Fly, para eu fumar…”. O objeto desta sessão, que evoca o 150º aniversário do nascimento de António Nobre, é um dos cachimbos que integra o espólio do escritor, doado pelo seu irmão Augusto Nobre à Biblioteca Pública Municipal do Porto. Vamos encontrá-lo, junto com diversos espécimes da vida e obra do autor de Só, na exposição patente na Galeria Municipal, ladeado por uma especialista em literatura portuguesa e por um médico pneumologista.

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Veilleuse

16 set.

Museu Romântico

convidados:

Manuel Morgado
Thuy Tiên

técnico:

Ana Bárbara Barros

descrição:

A Veilleuse, objeto composto por um bule e uma base com lamparina, surge frequentemente no quotidiano utilitário oitocentista. O termo tem origem francesa na palavra “veill”, que significa desperto, justificando a dupla funcionalidade do objeto: a feitura do chá e a manutenção da sua temperatura durante um alargado período de tempo. Por estas características, a peça surge muito associada aos cuidados de saúde das pessoas enfermas. É uma produção da Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, do século XIX e pertence ao acervo do Museu Romântico. Propõe-se uma viagem no tempo onde se abordam as tradições milenares do ritual do chá, com uma insigne perita, e uma recordação da primeira fábrica de cerâmica de Portugal através de um dos seus ceramistas modeladores.

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Memorial dos Mártires do Dia Internacional da Língua Materna do Bangladesh

23 set.

Praceta da Rua Chã

convidados:

José Mapril
Ruhul Alam Siddique

técnico:

Shah Alam Kazol

descrição:

Enquadrado na área de maior concentração de estabelecimentos comerciais da comunidade do Bangladesh, o Memorial dos Mártires do Dia Internacional da Língua Materna do Bangladesh foi Inaugurado a 20.12.2016, na Rua Chã, e é uma versão menor do Monumento Shaheed Minar que se encontra na Praça dos Mártires do Idioma, em Daca, capital do Bangladesh. O memorial do Porto reproduz a forma e significado do original, desenhado pelo escultor Hamidur Rahman: uma celebração à língua materna do Bangladesh, o bengali, e simultaneamente um tributo aos mártires assassinados em Daca em 1952 quando se manifestavam de forma pacífica pela defesa da sua língua (contra o urdu, idioma do Paquistão). Para celebrar o bengali e todos os seus defensores, estarão presentes o Embaixador do Bangladesh, um representante da Comunidade do Bangladesh no Porto e um antropólogo especialista nesta cultura.

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Manequim de alfaiate

30 set.

Alfaiataria Atelier des Createurs

convidados:

Miguel Flor
Pierre-Henri Tamet

técnico:

Giles Zeitoun

descrição:

Representativo da figura humana, o manequim de alfaiate é usado como modelo substituto do homem real, com as medidas ideais e as proporções corretas. O busto é um objeto de primordial importância para os alfaiates conseguirem auferir o acabamento das roupas que costuram. Partindo de uma peça presente em qualquer alfaiataria, um busto, este traja um fato desconstruído, com intuitos pedagógicos, para nos propor uma descoberta pelos meandros desta arte, das suas peculiaridades e de como aliá-la às mais recentes tecnologias. Partilham os seus “segredos” nesta sessão sobre alta-costura e cultura francesa o administrador da alfaiataria, um diretor criativo na área da moda e o cônsul de França no Porto.

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Prelo de litografia

07 out.

Árvore - Cooperativa de Actividades Artísticas

convidados:

Ana Torrie
Henrique Silva

técnico:

Rui Silvestre

descrição:

As oficinas da Cooperativa Árvore (atualmente gravura, litografia, serigrafia, cerâmica, fotografia e multimédia) são um espaço de liberdade criativa, estudo e pesquisa onde, desde o final dos anos 1970, gerações de artistas têm realizado diversos objetos artísticos. A existência das oficinas e a sua atividade materializam a singularidade da Árvore enquanto espaço de convergência e multidisciplinaridade e as edições permitem o acesso às obras de arte para inúmeros clientes. O singular prelo de litografia do século XIX será o argumento para uma conversa entre o fundador das oficinas (durante vinte anos seu diretor) e uma jovem artista (especialista na obra gráfica, domina as diversas técnicas). Ambos promovem a liberdade de impressão. Venha experimentar.

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Pavilhão panótico

14 out.

Hospital de Conde Ferreira

convidados:

Adrián Gramary
António Fernando Cascais

técnico:

Jorge Dias

descrição:

No Conde Ferreira, os pacientes eram distribuídos em função da sua patologia (tipo e fase da doença) e a sua classe social. De todas as estruturas arquitetónicas do hospital merece destaque o Panótico, também conhecido por Pavilhão dos Furiosos ou dos Alienados, o qual servia para isolar os doentes mais agitados ou perigosos. Era uma estrutura fechada em forma de eneágono (nove lados), uma “máquina de vigilância”, como lhe chamaria Michel Foucault, em que os vigiados, alojados em células individuais, estão sujeitos à visibilidade plena. Tema polémico que juntará à mesa um investigador nas áreas da biopolítica e da cultura visual da medicina e um psiquiatra do Conde Ferreira, autor do livro Palco da Loucura, sobre algumas das mentes mais criativas da humanidade (e de como a genialidade e a loucura se podem tocar).

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Torre de treino do Batalhão de Sapadores Bombeiros

21 out.

Quartel Bombeiros Sapadores

convidados:

Carlos Rodrigues Alves
José Joaquim da Silva Miranda

técnico:

Rebelo de Carvalho

descrição:

Uma visita teórico-prática, com direito a demonstração, é o que se propõe nesta sessão – imprópria para corações menos vigorosos – ao Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto. Na sua casa-escola (ou torre de treino), o batalhão planeia, organiza, executa e conduz as atividades que constituem um treino intenso, incluindo um simulacro de incêndio em edifício resultante de um acidente com uma cisterna contendo material inflamável e o resgate de vítimas no 3º e 4º pisos através de manga de salvamento e autoescada. O comandante distrital das operações de socorro no Porto e um elemento da Liga dos Bombeiros Portugueses partilham conhecimentos e debatem a intervenção sob o ponto de vista da proteção civil, mas também da perspetiva da formação de um soldado da paz.

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O cofre da Companhia do Gás do Porto

28 out.

Palacete dos Viscondes de Balsemão

convidados:

Ana Cardoso de Matos
Luís Cabral

técnico:

Isabel Osório

descrição:

A Companhia do Gás do Porto vem instalar-se, em 1906, nesta casa de muitas memórias. Ao tempo, o Palacete era propriedade dos Barões do Valado, que o tinham herdado do Visconde da Trindade. O gás e também a eletricidade são de importância estratégica para a cidade, seja para uso público (iluminação e transportes), seja para uso comercial e industrial, e até doméstico. Estes dois tipos de energia estão no centro de todo o progresso e desenvolvimento que o Porto viveu nos séculos XIX e XX, como nos irão falar os nossos convidados, peritos na história da energia. Em 1917, a Câmara chama a si o setor da energia, criando-se em seguida os Serviços Municipalizados de Gás e Eletricidade. É essa data que aqui assinalamos, simbolicamente, através da abertura do cofre, ele próprio contentor de segredos e relíquias de um século.

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Cruz céltica

04 nov.

Cemitério dos Ingleses

convidados:

Andrew Howard
Richard Delaforce

técnico:

Nick Holland

descrição:

Na véspera da Noite de Guy Fawkes, ou noite das queimadas (celebrada a 5 de novembro), vamos ao Cemitério dos Ingleses lembrar a imagética da morte. A representativa comunidade britânica do Porto começou por fazer os seus enterramentos nas areias do Douro durante a baixa-mar. Só em 1788 o cônsul britânico conseguiu adquirir um terreno destinado a cemitério, com a condição de ter uma cerca alta. Neste espaço, onde repousam figuras ligadas à cidade do Porto, atentemos numa cruz céltica (cuja propagação se deu com o revivalismo romântico), caracterizada por apresentar um anel sobreposto à cruz latina. Um designer gráfico inglês radicado no Porto, o guardião da igreja e o responsável pela organização das visitas guiadas ajudarão a descobrir os sentidos da cruz céltica e de outras histórias que se desprendem deste espaço (como a Igreja de St. James e o seu majestoso vitral).

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Laboratório de Engenharia Sísmica e Estrutural

11 nov.

Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

convidados:

Paula Silva
Raimundo Delgado

técnico:

António Arêde

descrição:

O Laboratório de Engenharia Sísmica e Estrutural integra o Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da UP. O Laboratório ensaia estruturas para analisar o seu comportamento sob ações de carácter dinâmico, sísmico em particular, e estático, dando apoio à realização de atividades de investigação, desenvolvimento tecnológico e inovação (IDT&I). É neste contexto de investigação-ação que um professor catedrático especialista em terramotos e a diretora-geral do Património Cultural abordarão o enfoque deste laboratório nos estudos relacionados com a preservação e reabilitação estrutural do edificado, histórico e/ou moderno do século XX, monumental e vernacular, perante ameaças como terramotos. Prontos para serem abanados?

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[Perush Ha-Berakhot Ve-Ha-Tefillot], de David ben Joseph Abudarham

18 nov.

Sinagoga Kadoorie Mekor Haim

convidados:

Elvira Mêa
Paulo Heitlinger

técnico:

Michael Rothwell

descrição:

Ao contrário dos diversos incunábulos de proveniência germânica ou italiana que chegaram aos nossos dias em razoável estado de conservação, é pouco frequente a presença de obras impressas em Portugal nos primórdios da imprensa. Tal raridade torna ainda mais valioso este exemplar datado de 1489 e produzido em Lisboa nas oficinas do Rabi Elieser Toledano, composto e impresso em caracteres hebraicos. Obra de teor religioso, atribuída ao sevilhano David ben Joseph Abudarham (século XIV), cujas páginas desenvolvem um comentário a respeito das preces de todo o ano litúrgico. Além da sua inegável beleza, este volume mostra-nos a importância da comunidade judaica portuguesa em finais do século XV, e teremos um tipógrafo e uma historiadora para disso mesmo nos dar conta.

Nota: excecionalmente, esta sessão iniciar-se-á às 18h30, após as orações do Shabbat, cerimónias que findam quando são visíveis três estrelas no firmamento, após o pôr-do-sol.

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Tripé de câmara fotográfica

25 nov.

Museu Militar

convidados:

Pedro Baptista
Susana Sousa Dias

técnico:

Oliveira Andrade

descrição:

Foi, até à Revolução dos Cravos de 1974, um sinistro edifício onde eram encarcerados, humilhados e torturados os presos políticos que se opunham ao Estado Novo. É uma construção oitocentista, comprada pelo Estado em 1948, para nela instalar a sede da polícia política. Hoje, em tempos de liberdade e de democracia, acolhe o Museu Militar do Porto, inaugurado a 21.03.1980 pelo General Ramalho Eanes. Não há no Porto outro local com simbolismo semelhante para preservação, tratamento e divulgação da memória da resistência à ditadura. Local, pois, propício à conversa com Pedro Baptista, escritor e ensaísta (cofundador de O Grito do Povo em 1971, preso político e deportado em 1973) e Susana Sousa Dias, realizadora e autora de 48, o documentário que retrata aquele período histórico através de fotografias a preto e branco, tais como as que as eram alinhadas por este tripé.

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Brasão dos Távora

02 dez.

Igreja de São Lourenço ("dos Grilos")

convidados:

José Augusto de Sottomayor-Pizarro
José Ferrão Afonso

técnico:

Aura Miguel

descrição:

A Igreja de São Lourenço, comummente conhecida por Igreja dos Grilos, foi iniciada pelos jesuítas na segunda metade do século XVI. Apesar de a primeira pedra ter sido lançada em 20.08.1573, só em 1614, com o financiamento do Bailio de Leça, Comendador Frei Luís Álvaro de Távora, se ultimou o templo e Colégio anexo (hoje o Museu de Arte Sacra do Seminário Maior). O benemérito, nessa Igreja sepultado (em túmulo de mármore suportado por elefantes), teve o seu nome apagado em cumprimento do anátema que sobre a família Távora se abateu – proibição de proferir ou escrever o apelido, seus brasões destruídos e armas picadas. Mas um brasão, sito no frontispício da Igreja de São Lourenço, por se encontrar em local tão elevado, sobreviveu a tal rasura. Um descendente da família Távora e um especialista em heráldica juntam-se à conversa, moderada pela jornalista portuguesa que acompanha todas as viagens papais.

PORTO
2017
Sábados
às 18.00
venha conhecer os espaços e os tesouros da cidade contados por quem faz as suas histórias